A chance de um paciente continuar vivendo em 2025 passou pelas mãos de uma servidora pública de Várzea Grande. A doação de medula óssea feita por Kauana Elizabeth Dutra dos Santos, de 31 anos, representou a compatibilidade rara que muitos aguardam por anos no banco nacional de doadores.
Cadastrada em 6 de março de 2024, ela foi convocada no dia 4 de novembro de 2025, menos de dois anos depois, e realizou o procedimento no Banco de Sangue de Brasília. O gesto, segundo a própria doadora, foi mais que um ato solidário: “Doar medula óssea é doar a chance de recomeçar para o outro e também para a gente”.
Assim como Kauana, outros dois voluntários de Mato Grosso também efetivaram a doação neste ano. Os procedimentos ocorreram em Ribeirão Preto, Brasília e Niterói, cidades onde os pacientes realizavam tratamento. A doação não é feita em território mato-grossense, já que o doador viaja até o local do transplante, com despesas custeadas pelo Sistema Único de Saúde.
O transplante de medula óssea é indicado para pacientes com mais de 80 doenças, entre elas leucemias, linfomas, alguns tipos de anemia e enfermidades hereditárias. Neste mês, a campanha Fevereiro Laranja reforça a importância do cadastro de novos voluntários e da conscientização sobre a leucemia. Mas o que acontece depois que alguém decide se cadastrar?
No caso de Kauana, o procedimento foi por aférese. Durante quatro dias, ela tomou medicação para estimular a produção de células-tronco. No dia da coleta, o sangue passou por uma máquina que separa os componentes necessários, em processo semelhante à hemodiálise, sem necessidade de internação ou anestesia. “A cada exame, eu pensava no receptor e na expectativa dele por aquela medula”, relatou.
De acordo com o diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, encontrar compatibilidade fora da família é raro: a chance é de 1 em 100 mil dentro do banco de dados. Quando há compatibilidade, a equipe do Instituto Nacional de Câncer entra em contato com o voluntário para uma nova etapa de exames que confirmam o estado de saúde e a viabilidade da doação.
Somente em 2025, o MT Hemocentro cadastrou 1.097 novos voluntários no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, alcançando 73.492 pessoas aptas no Estado. Ainda assim, a convocação depende exclusivamente do cruzamento genético entre doador e paciente.
Quem deseja se cadastrar pode procurar o MT Hemocentro, localizado na Rua 13 de Junho, 1.055, em Cuiabá, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h. É preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e apresentar documento oficial com foto. No ato, é coletado um tubo de 5 ml de sangue para tipagem HLA. O cadastro permanece ativo até os 60 anos.
Como resume Kauana, a experiência transformou não apenas quem recebeu a medula, mas também quem doou. As informações são da Secretaria de Estado de Saúde.
Fonte: cenariomt






