Tecnologia

Sensor de baixo custo amplia monitoramento da qualidade do ar na Amazônia: Saiba mais!

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Um sensor de baixo custo para medir a poluição do ar, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), será lançado nesta segunda-feira (6) durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.

Segundo o pesquisador do Ipam, Filipe Viegas Arruda, a nova tecnologia busca ampliar o alcance do monitoramento da qualidade do ar no Brasil, especialmente em regiões fora dos grandes centros urbanos. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Qualidade do Ar, instituída pela Lei 14.850/2024.

O objetivo é levar o monitoramento para além das cidades, incluindo comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais, áreas historicamente pouco atendidas por esse tipo de tecnologia.

Dados do Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, indicam que o país conta com 570 estações de monitoramento, sendo apenas 12 localizadas em Terras Indígenas.

Expansão da RedeAr

O primeiro lote do equipamento conta com 60 sensores de tecnologia nacional, que serão distribuídos por meio da rede Conexão Povos da Floresta, formada por organizações como Ipam, Coiab, Conaq e Conselho Nacional de Saúde.

A proposta é estruturar a chamada RedeAr, prevista para iniciar em setembro, com foco no monitoramento de poluição, umidade e temperatura em comunidades da Amazônia Legal. Os dados coletados poderão ser integrados a indicadores de saúde, como atendimentos por doenças respiratórias.

Uma nota técnica do Ipam aponta que, em 2024, eventos climáticos extremos, como secas intensas e queimadas, resultaram em 138 dias com ar considerado nocivo à saúde em estados da região amazônica.

“Existe a percepção equivocada de que a população da Amazônia respira ar puro, mas a realidade tem sido diferente”, alerta o pesquisador.

Inovação adaptada à região

De acordo com Arruda, os equipamentos atualmente utilizados no Brasil são, em sua maioria, importados, o que eleva custos e dificulta manutenção em áreas remotas. Além disso, esses sensores não foram projetados para as condições ambientais da Amazônia.

O modelo nacional incorpora um sistema de proteção interna contra insetos, poeira e outros fatores comuns na região, aumentando a durabilidade e a confiabilidade das medições.

Outro diferencial é a capacidade de armazenar dados localmente em caso de falhas de conexão, além de permitir a integração com outros dispositivos, favorecendo a criação de uma rede de monitoramento mais robusta.

A expectativa é que, com a expansão da RedeAr, o número de sensores instalados chegue a 200 até o final do ano, fortalecendo ações de educação ambiental e políticas de prevenção e combate às queimadas.

O equipamento ficará em exposição durante o evento, na tenda da Coiab, dentro da programação do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre, que segue até o dia 11 de abril, no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.