“Sema agiu perfeitamente, que bom que a Sema agiu nesse sentido, está cobrando o óbvio, cobrando explicações. Estão querendo fazer um tratamento de acupuntura em um elefante, como que funciona um tratamento de acupuntura em um elefante? Acho que essa turma menos técnica e mais romântica… Conservação não se faz com romantismo. Conservação se faz com ciência, às vezes não é fácil, é duro, não está aqui para agradar o povo. Infelizmente, a gente vive no Brasil, um romantismo, uma conservação romântica que não leva a nada, leva à extinção das espécies”.
Rasmussen ampliou a crítica ao modo como o Brasil trata a gestão da fauna silvestre, citando exemplos de Mato Grosso. “A gente vê aqui no estado como é tratada a questão do javali, a questão do queixada. Está difícil do meio ambiente olhar para o queixada e entender que o queixada aumentou. Claro que aumentou a população. As pesquisas mostram que 67% do tempo está no milho, antes ele ficava na mata de galeria, e os pesquisadores ficam bravos quando a gente fala isso”, afirmou.
Segundo ele, a ausência de políticas claras de manejo acaba transferindo o problema para produtores rurais. “Eles vão delegar o quê? O manejo ao produtor? Ou vão estabelecer um plano de manejo? Porque assim você tem controle. Do jeito que está, estão relegando ao produtor esse problema, fazendo de conta que não existe”, disse.
Para Rasmussen, o país precisa amadurecer o debate. “Está na hora da gente começar a crescer. O país da biodiversidade precisa crescer na questão do manejo. Isso é o que salva as espécies, quando você sai do romantismo para o pragmatismo e para a ciência, e cria valor econômico.”
A suspensão determinada pela Sema ocorreu após mortes recentes registradas no santuário. De acordo com informações divulgadas pela própria instituição em seu site, quatro elefantes morreram entre 2019 e 2025, todos com menos de um ano após a chegada ao local.
A notificação foi expedida em dezembro, uma semana depois da morte da elefanta Kenya, que havia sido transferida para Chapada dos Guimarães em julho de 2025. O santuário tem prazo de 60 dias para apresentar documentos solicitados pelo órgão estadual, responsável pelo licenciamento das atividades.
A Sema informou que o empreendimento possui licença e autorizações vigentes e que a suspensão para novos recebimentos permanecerá até a análise das informações solicitadas, especialmente sobre protocolos de biossegurança e padrões éticos de manejo. Já o Ibama afirmou que apura as mortes registradas e destacou que a quantidade de óbitos não passou despercebida pelo órgão federal, sendo objeto de análise técnica.
Fonte: Olhar Direto






