Saúde

Resultado do Saeb 2025: Avanços e Preocupações na Matemática

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2026

Os resultados do Saeb 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em Brasília, mostram melhora na proficiência em língua portuguesa e matemática em todas as etapas avaliadas. Apesar da recuperação dos indicadores, a aprendizagem continua sendo um dos principais desafios da educação básica brasileira.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, a nota padronizada passou de 5,9 em 2023 para 6,2 em 2025. Foi o avanço mais expressivo entre as três etapas analisadas.

Nas escolas públicas, os estudantes dessa etapa também superaram os níveis de desempenho registrados antes da pandemia, em 2019, tanto em língua portuguesa quanto em matemática, alcançando o nível considerado adequado de aprendizagem.

Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a nota padronizada avançou de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025. A média, porém, permaneceu no nível básico nas duas disciplinas.

No ensino médio, a nota padronizada cresceu 0,1 ponto no último biênio e ultrapassou o resultado registrado em 2019, que foi de 4,4. O principal problema está na matemática, cujo desempenho continua abaixo do nível básico.

Resultados do Saeb por etapa

Em uma escala de 0 a 500 pontos, os dados do Saeb mostram que o desempenho do 5º ano em língua portuguesa passou de 207,6 pontos, em 2023, para 215,1 em 2025. Em matemática, a média subiu de 218,3 para 227,4 pontos.

Considerando a rede pública, o avanço em matemática foi de 3,7 pontos entre as duas edições.

No 9º ano, a média de língua portuguesa passou de 252,9 para 256,6 pontos. Em matemática, o resultado aumentou de 249,9 para 255,3.

No 3º ano do ensino médio, a proficiência em língua portuguesa passou de 269,1 para 272,3 pontos. Em matemática, avançou de 263,9 para 268,0.

Na rede estadual, que reúne o ensino médio tradicional e o integrado à educação profissional e tecnológica, o desempenho do 3º ano em língua portuguesa passou de 271,7 para 275,8 pontos. Em matemática, subiu de 267,3 para 271,4.

Os dados indicam que os anos iniciais apresentam uma recuperação mais consistente, especialmente nas escolas públicas. Já nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, o ritmo de avanço é considerado mais lento.

A matemática no ensino médio aparece como o principal gargalo. O resultado dessa etapa ainda não retornou aos níveis observados antes da crise provocada pela pandemia.

Especialistas apontam desafios

Para Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, a recuperação registrada em 2025 é importante, mas ainda insuficiente para alterar de maneira significativa o nível geral de aprendizagem. Ela defende que a aprendizagem seja colocada no centro das políticas públicas, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Entre as medidas apontadas estão a formação e o apoio aos professores, o acompanhamento pedagógico das escolas e ações para recuperar e recompor aprendizagens de estudantes que não desenvolveram as habilidades esperadas no período adequado.

Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, avaliou que os resultados de matemática exigem ações coordenadas e contínuas. Para ele, o tema precisa permanecer entre as prioridades da agenda educacional, com políticas públicas implementadas de forma consistente.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a queda da proficiência em matemática também ocorre em países de economias avançadas. Segundo ele, o governo acompanha o problema e aposta na formação inicial e continuada de professores.

Barchini também citou os resultados da Prova Nacional Docente de 2025, que, segundo o ministro, indicaram a existência de professores proficientes em matemática e em quantidade suficiente para atuar nas redes de ensino.

Natália Fregonesi ponderou, porém, que a contratação de bons professores, isoladamente, não resolve o problema. Na avaliação dela, resultados melhores dependem da combinação entre liderança técnica, prioridade política e investimentos em políticas públicas estruturantes.

Brasil recupera nível pré-pandemia

Na média geral, o Brasil recuperou em 2025 os níveis observados em 2019, antes da pandemia. O ministro Leonardo Barchini afirmou que projeções de organismos internacionais indicavam que o país poderia levar entre 10 e 13 anos para retornar aos patamares anteriores à crise sanitária.

Segundo o MEC, a recuperação ocorreu em apenas dois ciclos de avaliação, equivalentes a quatro anos. O resultado foi apresentado como um sinal de resiliência das redes públicas de educação básica.

O Todos Pela Educação, entretanto, ressalta que o ponto de partida antes da pandemia já era baixo. Por isso, a recuperação dos níveis de 2019 não é suficiente: o país ainda precisa acelerar a melhoria da aprendizagem e superar os patamares anteriores.

Ensino médio ainda preocupa

Natália Fregonesi defende que as escolas de ensino médio estejam mais próximas do cotidiano e dos projetos de futuro dos estudantes. Na avaliação da especialista, parte da desmotivação nessa etapa está relacionada à combinação entre defasagens acumuladas ao longo da trajetória escolar e uma escola que nem sempre dialoga com as expectativas dos jovens.

A especialista também considera prioritário fortalecer as etapas anteriores da educação básica para que os estudantes cheguem ao ensino médio com melhores condições de aprendizagem e maior motivação.

O que é o Saeb

O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi criado em 1990 e reúne avaliações externas de larga escala, com testes e questionários destinados a produzir informações sobre o desempenho dos estudantes e fatores relacionados ao processo educacional.

Na edição de 2025, o Saeb avaliou 5,9 milhões de alunos, distribuídos em 73,7 mil escolas, 247,7 mil turmas em todo o país.

As avaliações são realizadas a cada dois anos. Os resultados de desempenho do Saeb, combinados aos dados de fluxo escolar do Censo Escolar, são utilizados na composição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Os dados também permitem acompanhar indicadores educacionais de escolas, redes de ensino e unidades da Federação ao longo das diferentes edições da avaliação.

Fonte: cenariomt

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