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Restauração do 1º cinema de Cuiabá: prédio histórico se tornará hotel de luxo

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Quem passa pela Avenida Presidente Getúlio Vargas, mais precisamente no trecho atrás da Catedral do Bom Jesus de Cuiabá, talvez nem imagina que ali exista um prédio que abrigou o Cine Parisien, primeiro cinema de Cuiabá inaugurado em 1912.

Logo depois, o prédio foi demolido e no local foi construído o Grande Hotel, inaugurado em 1941 e que recebeu grandes estrelas brasileiras como as cantoras e compositoras Emilinha Borba e Ângela Maria, além do presidente Getúlio Vargas que dá nome a uma das avenidas de acesso ao prédio.

O prédio que ficou conhecido ao abrigar o Grande Hotel e marcou a história de Cuiabá, hoje está em reforma. A estrutura será sede do Centro de Economia Criativa, mas que ainda não tem data para entrar em funcionamento.

Restauro retrofit

A obra é realizada pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), que conta com investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que totalizam R$ 6,19 milhões. A obra é um restauro/retrofit.

O que é restauro retrofit? Técnica exige mais cuidado na execução por se tratar de prédio com tombamento histórico.

Segundo a pasta, atualmente, a obra está com cerca de 40% de execução. Entre os trabalhos já realizados estão demolições, instalação de piso de granito, instalações de eletrocalhas, eletrodutos e cabeamento de elétrica, hidráulicas, de esgoto, de rede lógica, e de esquadrias, impermeabilização, estrutura metálica de cobertura e telhamento.

A empresa responsável pelo trabalho é a Proplan Planejamento de Projetos Ltda EPP. com contrato assinado em 2017, segundo o Portal da Transparência. Atualmente os trabalhos de restauração ocorrem na parte interna do prédio. O entorno foi fechado com tapumes. E, até o momento, não há projeção de quando a obra entrará em fase final.

Hotel das estrelas

A edificação é de arquitetura estilo neocolonial, um movimento do início do século XX que buscava uma arte genuinamente nacional, oferecendo novas bases para a modernização da arquitetura no Brasil, mas sem desconsiderar as raízes e referências do Brasil colônia.

Registros históricos confirmam que o Grande Hotel foi um prédio construído com dificuldades de logística, mas chamando a atenção e interesse da população local, com especulações sobre a viabilidade do serviço de hospedagem em um grande prédio naquela época, com 38 quartos, sendo apenas quatro deles suítes.

Nesse época, o prédio recebeu estrelas nacionais como o ator Procópio Ferreira. Empresários e autoridades políticas também se hospedaram no hotel.

No documentário “O Destino do Coronel Fawcet”, arquivado pela Rede Brasil, em que trata dos últimos passos do arqueólogo e explorador britânico, coronel Percy Harrison Fawcett, mostra algumas imagens de como era o interior mais famoso da capital da época. Fawcett desapareceu na Serra do Roncador, no ano de 1925. Veja vídeo:

Cabe destacar que no documentário diz que o coronel Fawcett se hospedou no Grande Hotel, mas a informação não é verdadeira. Registros históricos atestam que Fawcett desapareceu em 1925 e o Grande Hotel foi inaugurado em 1941, segundo registro do Arquivo Público de Mato Grosso.

Outras instalações

Já na década de 60, o Grande Hotel deixou de funcionar. Passou então a ser sede do extinto Banco do Estado de Mato Grosso (Bemat). Inicialmente construído em formato em E, com particularidades como as varandas das fachadas, as obras para abrigar o órgão estadual excluíram os pátios dos fundos, que foram tomadas por salas administrativas com extensos corredores.

Em 2001, o prédio foi restaurado e nesse período quando foram descobertas as estruturas ocultadas pelo Bemat, como escadas de serviço e forros de gesso dos salões. Também foram recuperados pisos em tacos de madeira e guarda-corpos metálicos.

A partir daí, a Secretaria de Estado de Cultura, na época, instalou-se no local, onde ficou até 2015.

Desde então, há cerca de 10 anos, o prédio foi fechado e, agora, aguarda a finalização do restauro para voltar a fazer parte da história de Cuiabá.

Fonte: primeirapagina

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