A Igreja Católica vive um momento histórico em Mato Grosso com a beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, missionário assassinado em 2001 em Jauru (MT). O sacerdote passa a ser oficialmente o primeiro beato reconhecido no estado e pode se tornar, no futuro, o primeiro santo mato-grossense.
A celebração litúrgica de beatificação foi autorizada pelo Papa Leão XIV e está marcada para o dia 13 de junho de 2026, às 9h (10h no horário de Brasília), em Jauru. A missa será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que virá como representante do pontífice. A cerimônia também terá transmissão ao vivo pela Canção Nova Cuiabá.
O reconhecimento ocorre após o Vaticano declarar que o padre foi morto por ódio à fé, caracterizando o martírio. Nesses casos, não é exigido milagre para a beatificação. Para que ele seja canonizado e declarado santo, no entanto, será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão após se tornar beato.
Quem foi Nazareno Lanciotti
Nascido em 3 de março de 1940, em Roma, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966. Chegou a Jauru em 1972, por meio da Operação Mato Grosso, iniciativa missionária que enviava religiosos para regiões carentes do Brasil.
Na cidade, então com pouca estrutura, o padre iniciou as celebrações em espaços improvisados e ampliou sua atuação ao longo dos anos. Em 1974, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar. Também participou da criação de hospital, asilo e escola com atendimento integral, além de organizar 57 comunidades rurais com forte vida de oração e adoração eucarística.
Integrante do Movimento Sacerdotal Mariano desde 1987, ele também assumiu papel de liderança nacional no grupo. Fiéis relatam que tinha forte atuação no atendimento de confissões e no acompanhamento espiritual.
Além da missão religiosa, ficou conhecido por denunciar injustiças sociais na região, como exploração de crianças e adolescentes, prostituição e tráfico de drogas. Em um episódio lembrado pela comunidade, chegou a se ajoelhar durante um conflito armado para evitar mortes em disputa por terra.
O assassinato e o processo
Em fevereiro de 2001, aos 61 anos, padre Nazareno foi rendido por dois homens armados dentro de casa e baleado. O crime causou forte comoção e impulsionou o pedido de abertura do processo de beatificação.
A investigação sobre sua vida e morte foi autorizada pela Santa Sé em 2007. Após análise da documentação enviada ao Vaticano, o Papa reconheceu o martírio neste ano, permitindo a beatificação.
Para a Igreja Católica em Mato Grosso, o reconhecimento é considerado um marco na caminhada da fé no estado, especialmente para os moradores de Jauru, onde o padre viveu por quase três décadas e deixou legado espiritual e social que segue mobilizando devotos até hoje.
Fonte: primeirapagina






