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Qualidade do sono e saúde mental: como garantir uma boa noite de descanso?

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2026

Dormir não só é bom, é necessário. Poucos são aqueles que não gostariam de dormir um pouquinho mais, que despertam mais cedo por pura obrigação. O despertador toca e, no máximo, mais nove minutinhos na cama, na função soneca, até o próximo toque do relógio.

(Vídeo: Marcos Estevão)

Assim como gostaríamos de acordar um pouco mais tarde, nossa vontade é também de dormir mais tarde, quando entra a madrugada e deixamos de fazer isso porque precisamos acordar cedo. Costuma-se dizer que a noite é uma criança e que somos os seus brinquedos, mas a brincadeira pode custar caro para nossa saúde mental.

Antes do surgimento da luz, velas e candeeiros iluminavam as casas; lá fora a noite era um breu, um convite perfeito ao sono. Depois, mesmo com o advento da luz, até metade do século passado, dormia-se bem mais cedo. Não havia grande luminosidade. A televisão estava chegando às casas e a programação que hoje é ininterrupta, era interrompida bem antes da meia-noite.

Dormia-se mais cedo e acordava-se também mais cedo, daí a expressão “dorme-se com as galinhas e acorda-se com os galos”. A saúde mental agradecia, respeitava-se o ciclo melatoninérgico da noite para dormir e o ciclo cortisólico para manter-se desperto.

E hoje, o que fazemos com nosso cérebro, nossa mente, nosso corpo, nossa vida? Dormimos tarde e acordamos cedo. Somos brinquedos de uma noite que não é mais criança, somos marionetes de um dia que nos faz digladiar com nosso semelhante por maior produtividade. O prejuízo do sono não é resultado de apenas uma noite mal dormida, mas de noites e mais noites envenenando nossa mente com excesso de luzes e sons.

A ciência mostra que o tempo ideal de sono noturno está entre sete a nove horas, frise-se bem, sono noturno, ou seja, durante o ciclo melatoninérgico. Há prejuízos à mente, com riscos significativos ao bem-estar psíquico, quando dormimos menos do que seis horas ou mais que dez.

Dormir pouco é, com certeza, ter mais dificuldade de consolidar memórias e de processar emoções, aumento da ansiedade e de reação a diferentes estímulos. Além da ansiedade, a privação do sono pode desencadear sintomas depressivos, quadros dolorosos, aumento do consumo de tabaco e outras substâncias psicoativas e até mesmo sintomas psicóticos, como alucinações e delírios nos casos mais graves de privação do sono noturno.

Por outro lado, dormir muito também pode ser um problema. É possível estar associado a uma doença física ou a um quadro depressivo, por exemplo; pode significar a fuga de uma realidade conflitiva que a pessoa não deseja vivenciar.

Além da quantidade de sono, há de se falar também da qualidade, tão ou mais importante que o número de horas dormidas. Um sono de má qualidade, mesmo que com total de horas dormidas dentro da normalidade, também traz grandes prejuízos à saúde mental.

Precisamos atravessar regularmente todas as fases do sono, desde a primeira fase, de um sono mais leve, que vai perdurar apenas dez por cento da noite, seguida de cinquenta por cento da fase dois ou sono moderado, vinte por cento de sono profundo e vinte por cento de sono REM (sono dos sonhos).

É nestes dois últimos que há os maiores ganhos para a atividade mental e, quando o reduzimos ou o suprimimos, experimentamos cansaço ao despertar, sonolência excessiva diurna e prejuízo à fixação de novas memórias.

O sono é tão ligado à saúde mental que dormir mal pode causar ou agravar problemas da mente, assim como estes podem causar problemas no sono. O cérebro que necessita de mais ou de menos quantidade de sono diário, liga o sinal de alerta, uma vez que pode significar risco ao psiquismo humano.

Às vezes fica difícil saber o que vem primeiro, a insônia ou o transtorno mental, mas seja o que for, independente disso, o sono precisa ser corrigido, afinal de contas, dormir bem, com quantidade suficiente de horas e qualidade adequada, é propiciar saúde mental.

Fonte: primeirapagina

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