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Projeto da UFMT identifica 21% dos pacientes em Sinop com sinais de flebite

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2026

Um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Sinop, já avaliou mais de 130 pacientes adultos internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município desde maio de 2026. Entre as pessoas acompanhadas, 21% apresentaram sinais de flebite, uma inflamação das veias que pode estar associada ao uso de cateteres intravenosos periféricos.

Os dados são do FlebTrack, iniciativa que integra ensino, pesquisa e extensão para aprimorar a prevenção, a identificação precoce e o manejo de complicações relacionadas aos acessos venosos utilizados na assistência à saúde.

O projeto já alcançou mais de 40% da meta inicial de 300 pacientes. Além de avaliar os dispositivos utilizados pelos pacientes, a equipe realiza intervenções de manutenção, orienta profissionais de saúde e acompanha indicadores relacionados à qualidade da assistência.

Coordenado pelo professor Kaio Keomma, do curso de Enfermagem da UFMT Campus Sinop, o trabalho surgiu a partir da experiência do docente durante os estágios acadêmicos realizados na UPA. Em parceria com profissionais da unidade, foi identificada a oportunidade de aproximar o conhecimento produzido na universidade das práticas de prevenção e cuidado adotadas no serviço de saúde.

Avaliação identificou necessidade de manutenção em 82% dos pacientes

Entre os pacientes avaliados pelo FlebTrack, 82% apresentaram alguma necessidade de manutenção do acesso vascular. As situações identificadas envolveram problemas no lúmen dos dispositivos, nas coberturas utilizadas para fixação e proteção do cateter ou nas conexões.

Em aproximadamente um a cada dez pacientes, foi necessária uma nova punção venosa para instalação de outro acesso. Entre os motivos estavam obstruções, tempo de permanência do dispositivo e sinais mais avançados de flebite.

Os resultados evidenciam a importância da avaliação sistemática dos acessos venosos durante a internação. Embora amplamente utilizados nos serviços de saúde, os cateteres intravenosos periféricos podem apresentar complicações que exigem acompanhamento e intervenções adequadas.

Esses dispositivos permitem administrar medicamentos, repor líquidos e eletrólitos e realizar transfusões de componentes sanguíneos. Quando surgem problemas, o acesso pode precisar de manutenção ou substituição, conforme a avaliação clínica.

O acompanhamento realizado pelo FlebTrack busca identificar alterações precocemente e contribuir para a adoção de medidas que reduzam riscos e favoreçam a continuidade do tratamento.

Projeto acompanha pacientes e orienta profissionais de saúde

As atividades presenciais ocorrem às sextas-feiras, no período da tarde, na unidade de internação adulta da UPA de Sinop. Durante os plantões, o professor coordenador e dois estudantes de Enfermagem avaliam pacientes que utilizam cateteres intravenosos periféricos.

A análise considera o local de inserção do dispositivo, possíveis sinais de inflamação, as condições da cobertura e das conexões e a permeabilidade do acesso.

Quando necessário, a equipe realiza procedimentos de manutenção, como desinfecção das conexões, lavagem do dispositivo com solução salina, substituição de componentes e novas punções venosas, conforme as necessidades identificadas e os protocolos assistenciais.

O trabalho também envolve orientações aos profissionais da unidade sobre boas práticas no manejo dos acessos vasculares. Os dados das avaliações e intervenções são registrados para permitir o acompanhamento dos indicadores e a análise contínua da assistência.

Até setembro de 2026, o projeto havia completado 14 semanas de atividades presenciais no serviço, com avaliações clínicas, intervenções de manutenção, ações educativas e reuniões de planejamento.

Iniciativa aproxima universidade e Sistema Único de Saúde

Além do atendimento aos pacientes, o FlebTrack contribui para a formação dos estudantes de Enfermagem, que vivenciam situações reais de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, a equipe reúne oito integrantes: um professor coordenador, uma estudante bolsista e seis estudantes voluntários do curso de Enfermagem da UFMT.

A proposta é integrar o conhecimento acadêmico às necessidades do serviço de saúde, promovendo a formação profissional e o desenvolvimento de práticas que possam contribuir para a qualidade da assistência.

A flebite e as complicações relacionadas aos acessos vasculares representam questões relevantes para a segurança do paciente. Nesse contexto, o rastreamento sistemático e a identificação precoce de alterações podem auxiliar as equipes assistenciais na tomada de decisões e na prevenção do agravamento dos casos.

Projeto também contribui para a produção científica

O FlebTrack desenvolve uma linha de investigação voltada ao acesso vascular, à ocorrência de flebite e à qualidade do cuidado. A iniciativa utiliza as informações obtidas durante as atividades para acompanhar indicadores e ampliar o conhecimento sobre as condições dos dispositivos utilizados na assistência.

O atendimento é realizado exclusivamente na unidade de internação adulta da UPA e não funciona por livre demanda. Durante os plantões, os pacientes que atendem aos critérios do projeto são identificados e convidados a participar.

Dessa forma, a iniciativa combina acompanhamento assistencial, educação permanente e formação acadêmica, com foco na segurança dos pacientes e na melhoria das práticas de cuidado.

Fonte: cenariomt

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