Vinte e cinco pessoas privadas de liberdade concluíram, na terça-feira (3), o curso de Costureiro Industrial do Vestuário na Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva, em Água Boa. A capacitação, promovida pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), teve 200 horas de aulas teóricas e práticas. As informações foram divulgadas pela própria secretaria.
A iniciativa oferece qualificação profissional dentro do sistema prisional e busca preparar os participantes para atividades no setor de confecção. Com a conclusão do curso de costureiro industrial, os 25 alunos receberam certificados e poderão utilizar os conhecimentos adquiridos nas atividades produtivas desenvolvidas na própria unidade.
O que os participantes aprenderam durante o curso
A formação contemplou diferentes etapas da produção industrial de roupas. Os recuperandos tiveram contato com equipamentos utilizados em confecções e aprenderam técnicas necessárias para a montagem e o acabamento de peças.
Entre os conteúdos trabalhados estavam a operação de três tipos de máquinas industriais:
- Máquina reta: utilizada em operações de costura e união de tecidos;
- Overloque: empregada no acabamento de bordas e na união de materiais, conforme o tipo de peça;
- Galoneira: utilizada principalmente em acabamentos de barras e costuras em peças de vestuário.
Os alunos também aprenderam sobre manuseio de tecidos, interpretação de moldes, montagem de peças e controle de qualidade. Esses conhecimentos fazem parte das atividades comuns à indústria de confecção e permitem compreender diferentes fases do processo produtivo.
Além das habilidades técnicas, o curso de costureiro industrial trabalhou competências relacionadas à rotina profissional. Disciplina, concentração, responsabilidade, organização e trabalho em equipe estiveram entre os pontos abordados durante as aulas.
Recuperando atua como instrutor na penitenciária
Um dos aspectos da capacitação foi a participação de uma pessoa privada de liberdade da própria unidade como instrutor. Ela compartilhou conhecimentos técnicos com os demais alunos e contribuiu diretamente para o desenvolvimento das atividades.
Essa participação demonstra uma possibilidade de aproveitamento dos conhecimentos já existentes entre os custodiados. A troca de experiências também permite que o aprendizado seja compartilhado dentro do ambiente prisional.
Ala de costura permitirá continuidade da formação
A Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva possui uma ala destinada à costura. O espaço poderá ser utilizado pelos participantes para colocar em prática as técnicas aprendidas, desenvolver habilidades e participar de atividades produtivas.
A existência dessa estrutura é importante para dar continuidade à formação. Afinal, a prática permite aperfeiçoar o uso das máquinas, melhorar a execução das peças e desenvolver maior familiaridade com os processos de uma confecção.
O aprendizado também pode ampliar as possibilidades profissionais após o cumprimento da pena. A experiência com máquinas industriais e técnicas de acabamento representa uma qualificação que pode ser aproveitada em empresas de vestuário, oficinas de costura e outras atividades do setor.
Entretanto, a certificação profissional não representa garantia de contratação. O acesso ao mercado de trabalho depende de fatores como disponibilidade de vagas, experiência, documentação e oportunidades oferecidas pelos empregadores.
O que diz a legislação sobre trabalho e estudo no sistema prisional
A oferta de educação e atividades profissionais nas unidades prisionais também encontra respaldo na Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984). O artigo 28 estabelece que o trabalho da pessoa condenada possui finalidade educativa e produtiva, além de ser considerado uma condição relacionada à dignidade humana.
A legislação também prevê a possibilidade de remição de pena por estudo ou trabalho, conforme as regras do artigo 126. No caso dos estudos, a lei estabelece a redução de um dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar, distribuídas em pelo menos três dias.
Esse benefício, porém, não é automático pela simples conclusão de qualquer capacitação. É necessário observar os requisitos legais, a comprovação das atividades e a análise da execução penal. A declaração da remição cabe ao juiz responsável, após ouvir o Ministério Público e a defesa.
A consulta à legislação completa pode ser feita no texto oficial da Lei de Execução Penal.
Nova turma está prevista para 2027
A conclusão da primeira turma não encerra a oferta de qualificação profissional na penitenciária. Segundo a Sejus, uma nova edição do curso está prevista para 2027, mantendo a parceria com o Senai e a proposta de ampliar as oportunidades de formação dentro da unidade.
O diretor da penitenciária, Gilberto Antônio de Oliveira, avaliou positivamente os resultados da capacitação. Para ele, o acesso à educação e ao aprendizado profissional pode ajudar os participantes a construir novas perspectivas de vida.
“Acreditamos que a educação e a qualificação profissional são instrumentos fundamentais para a transformação de vidas. Quando oferecemos oportunidades de aprendizado e trabalho, estamos contribuindo para que essas pessoas possam construir novas perspectivas, desenvolver suas habilidades e retornar à sociedade com mais dignidade, responsabilidade e esperança”, afirmou.
A experiência em Água Boa reforça a importância de iniciativas que aproximam a formação profissional da realidade do sistema prisional. A continuidade dos cursos e a possibilidade de aplicação prática dos conhecimentos serão aspectos importantes para avaliar os resultados da parceria.
Para acompanhar novas oportunidades de capacitação e ações de formação profissional nas unidades prisionais, os interessados podem consultar os canais oficiais da Secretaria de Estado de Justiça.
Reportagem baseada em informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), declaração do diretor da Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva e legislação federal disponível no Portal da Presidência da República. Os dados sobre a carga horária, os participantes e a previsão de novas turmas correspondem às informações fornecidas pela secretaria.
Fonte: cenariomt






