O mercado suinícola brasileiro atravessa um momento de pressão, com a terceira semana consecutiva de queda nos preços do animal vivo e dos cortes. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o movimento reflete principalmente a combinação entre oferta elevada e demanda doméstica enfraquecida, cenário que tem impactado com mais intensidade as praças do Sul do país.
As desvalorizações têm sido mais expressivas nas principais regiões produtoras do Sul, onde a disponibilidade de animais segue elevada. Ao mesmo tempo, o consumo interno não tem reagido na mesma proporção, limitando a capacidade de sustentação dos preços no mercado nacional.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda mantém o setor em alerta, especialmente diante da dificuldade de repasse ao longo da cadeia.
Exportações batem recorde, mas não sustentam preços
No mercado externo, o desempenho segue positivo. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, na parcial de abril, os embarques de carne suína atingiram média diária de 6,2 mil toneladas — o maior volume já registrado e 3,3% acima da média de março.
Apesar do ritmo acelerado, as exportações representam, em geral, entre 25% e 30% da produção nacional. Isso significa que, embora contribuam para reduzir a oferta interna, ainda não têm força suficiente para reverter a tendência de queda dos preços.
Mercado interno segue determinante
De acordo com pesquisadores do Cepea, o atual cenário evidencia o peso do consumo doméstico na formação de preços. Mesmo com recordes nas vendas externas, a demanda interna enfraquecida continua sendo o principal fator de pressão sobre as cotações.
A expectativa do setor é de que uma eventual recuperação do consumo interno possa equilibrar o mercado. Até lá, a tendência é de manutenção da volatilidade, com o comportamento da demanda sendo decisivo para os próximos movimentos.
Fonte: cenariomt





