A Sexta-feira Santa, também conhecida como Sexta-feira da Paixão, é um dos momentos mais solenes do calendário cristão, especialmente para os católicos. A data relembra o sofrimento e a morte de Jesus Cristo no Calvário e é marcada por silêncio, recolhimento e profunda reflexão espiritual.
Neste dia, não há celebração de missa com consagração e os altares permanecem desnudados, em sinal de luto. O principal rito é a veneração da cruz, quando os fiéis recordam o sacrifício de Cristo. Ao longo da Quaresma, muitos também participam da Via-Sacra, que revive, em 14 estações, o caminho percorrido por Jesus até a crucificação.
A tradição do jejum e da abstinência de carne vermelha segue viva. Segundo o professor de catequese Elvio Resende, a prática tem um sentido espiritual: “Logo estamos com fome de novo, e esse é o objetivo do jejum: fazermos uma pequena penitência em razão da morte de Jesus”. Ele explica que o peixe foi adotado por ser uma refeição leve e de digestão rápida, além de reforçar o propósito de simplicidade e contenção.
Mais do que uma restrição alimentar, o jejum também é visto como um exercício de disciplina interior. “O jejum tem um sentido pedagógico, como forma de disciplinarmos nossas vontades e oferecermos um pequeno sacrifício a Cristo”, afirma Resende.
Tradicionalmente, a orientação da Igreja é que os fiéis façam apenas uma refeição completa ao longo do dia, mantendo as demais de forma simples e moderada. “O objetivo do jejum não é sofrimento”, reforça o catequista, destacando que a prática deve respeitar os limites do corpo.
Jejum além da comida
Com o passar dos anos, a vivência da Sexta-feira Santa também tem ganhado novos significados. Muitos cristãos passaram a adotar o chamado “jejum de atitudes”, abrindo mão de comportamentos e hábitos que afastam da espiritualidade.
Entre as práticas mais comuns estão a redução do uso de redes sociais, a abstinência de bebidas alcoólicas, a pausa em compras supérfluas e até o esforço consciente de evitar reclamações e conflitos. A proposta é transformar o sacrifício simbólico em atitudes concretas de empatia, silêncio e reconexão interior.
Apesar das mudanças, o sentido central da data permanece. “A prática do jejum vem desde o Antigo Testamento e foi assumida pela Igreja como forma de penitência e de união com Cristo”, explica o padre Padre Renan da Silva Cunha. Segundo ele, ao longo do tempo, a Igreja flexibilizou algumas regras, mantendo a abstinência de carnes vermelhas como principal orientação.
Do silêncio à celebração
Após o luto da Sexta-feira Santa, o calendário cristão segue para o Sábado Santo, marcado pela Vigília Pascal. A celebração acontece à noite e simboliza a passagem da escuridão para a luz.
Durante o rito, os fiéis participam da bênção do fogo novo e da procissão do Círio Pascal, quando velas são acesas e a igreja, antes escura, se ilumina gradualmente. É nesse momento que a Páscoa é proclamada, anunciando a vitória da vida sobre a morte.
Já o Domingo de Páscoa é considerado o dia mais importante da fé cristã. É quando se celebra a ressurreição de Jesus Cristo — o ponto central da crença católica.
“Aí sim, é dia de festa e de um almoço farto”, resume o padre, ao destacar que a alegria da ressurreição contrasta com o recolhimento vivido na Sexta-feira Santa.
Fonte: primeirapagina





