A atuação de criminosos que tentam escapar da Justiça cruzando fronteiras levou a Polícia Civil de Mato Grosso a realizar prisões em outros países e estados brasileiros. Entre 2025 e 2026, operações localizaram suspeitos e lideranças de uma facção criminosa na Bolívia, no Paraguai e em diferentes pontos do Rio de Janeiro.
As ações envolveram equipes de inteligência e cooperação com forças policiais nacionais e internacionais. Entre os casos de maior repercussão está o de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, apontada como uma das líderes do grupo criminoso e considerada a mulher mais procurada de Mato Grosso. Ela foi encontrada em um condomínio de luxo em Santa Cruz, na Bolívia, e transferida para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, na terça-feira (20).
Segundo a delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Silveira Maidel, os resultados refletem investimentos em segurança pública, inteligência e integração entre instituições. A corporação afirma que as operações buscam localizar foragidos e interromper atividades criminosas mesmo quando os investigados deixam o estado ou o país.
Prisões na Bolívia e no Paraguai
Entre junho e outubro de 2026, cinco lideranças da facção foram presas na Bolívia e uma no Paraguai, em ações da Gerência Estadual de Polinter e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), conforme o balanço divulgado pela Polícia Civil.
Em junho, Willian Guilherme dos Santos foi preso na Bolívia. Além de integrar o grupo criminoso, ele era procurado por um homicídio cometido em Bauru, no interior de São Paulo. Em agosto, o médico André Barbosa de Souza, investigado por possível ligação com uma facção, foi localizado em San Matias, durante uma ação da Polinter com a Draco e a Interpol.
Em setembro, Pedro Henrique Lima foi preso em San Ignacio Velasco, após contato do Departamento de Inteligência da Polícia Boliviana com a Polinter. Ele tinha mandado de prisão em aberto por homicídio. Na mesma residência, outros cinco brasileiros foram presos em flagrante pela morte de um desafeto, relacionada à disputa por drogas entre facções rivais.
No mesmo mês, João Batista Vieira dos Santos, apontado como outra liderança criminosa em Mato Grosso, foi localizado em Mariano de Luque, no Paraguai. A prisão ocorreu em uma ação conjunta da Polinter, da Draco de Cuiabá e da inteligência policial paraguaia.
Rio de Janeiro entrou na rota das operações
O Rio de Janeiro também concentrou prisões de integrantes investigados por comandar atividades criminosas a distância. Em 3 de agosto de 2025, Ingride Fontinelles Morais e Priscila Moreira Janis foram presas em um shopping. Ingride era ex-esposa de um traficante e conselheiro da facção e estava foragida havia quase dois anos. Priscila era apontada como uma das principais lideranças do grupo em Sorriso, onde, segundo as investigações, comandava atividades criminosas desde 2022 e determinava mortes de rivais.
Ainda em agosto de 2025, Bruno Ojeda foi preso em um hotel em Copacabana, quando voltava da praia. Alecsandro Santiago da Cruz e André Valber de Macedo Nunes Silva também estavam no local e foram presos em flagrante. As investigações indicavam que o trio coordenava ações da facção em Mato Grosso a partir do Rio de Janeiro e respondia por suspeitas relacionadas a sequestro, roubo e aliciamento de menores.
Em setembro daquele ano, Ederson Xavier de Lima, conhecido como Boré, apontado como operador financeiro do grupo e braço direito de Jonas Souza Gonçalves Júnior, o Batman, foi preso na Praia de Piratininga, em Niterói. No mês seguinte, Acácio Costa Ribeiro, o Panela, apontado como liderança na região sul de Mato Grosso, foi localizado em um apartamento de alto padrão na Barra da Tijuca.
As ações continuaram em 2026. Em janeiro, Renato Barbosa, conhecido como Pezão ou Topete e apontado como liderança em Primavera do Leste, Vila Rica e Barra do Garças, foi preso durante a Operação Cartorium. Em fevereiro, Adão Alves da Silva Neto, investigado como operador financeiro, foi localizado em uma padaria no Rio de Janeiro.
Em julho, Erival Vitorino Machado, conhecido como Demenor, Semente ou Menor Wisk, foi preso no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Durante a ação, houve confronto armado e foram apreendidos três fuzis, um deles em posse do suspeito, que também portava documento de identidade falso. Em agosto, Guilherme Moura da Silva, apontado como operador financeiro e braço direito de Batman, foi preso enquanto treinava em uma academia no bairro de Inhaúma.
Outros foragidos foram localizados em Mato Grosso
O balanço da Polícia Civil também reúne prisões de pessoas procuradas por crimes investigados ou julgados em outros estados. Antônio Brasileiro da Silva Neto, apontado como criminoso de alta periculosidade e nome de destaque de uma facção do Ceará, foi encontrado em uma casa de alto padrão em Chapada dos Guimarães. A operação contou com a participação da Polinter e da Polícia Civil cearense.
No fim de abril, equipes de inteligência da Polinter e da Delegacia de Vila Rica prenderam Semi Alves da Silva, condenado a 17 anos de prisão por estupro de vulnerável contra uma criança de 10 anos.
Em agosto, a Polícia Civil também prendeu em Cuiabá Aluízio Faria Batista, procurado pela Justiça do Rio Grande do Norte desde 1984. Ele era responsabilizado por um acidente de ônibus ocorrido durante o Carnaval daquele ano, que matou 19 pessoas e ficou conhecido nacionalmente como Tragédia do Baldo.
De acordo com o delegado Cláudio Álvares Sant’Ana, diretor de Atividades Especiais, o trabalho da instituição combina investigação, inteligência e cooperação com forças de segurança para cumprir mandados e localizar pessoas que tentam fugir da Justiça. A Polícia Civil afirma que as operações de combate às facções e de captura de foragidos terão continuidade.
Fonte: cenariomt





