Via @portalg1 | A PolĂcia Militar de SĂŁo Paulo (PM-SP) publicou nesta quarta-feira (10) o decreto que confirma oficialmente a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, rĂ©u preso sob acusação de feminicĂdio contra a esposa tambĂ©m PM, Gisele Alves Santana.
O ato assinado pelo diretor de Inatividade e PensĂŁo Militar, coronel Antonio Thomazelli JĂşnior, transfere oficialmente o tenente-coronel para a reserva da polĂcia, passando o pagamento da pensĂŁo dele para a SPPrev, o Instituto de PrevidĂŞncia do governo de SĂŁo Paulo.
Segundo o g1 apurou, a partir da folha de pagamento desse mĂŞs de junho, Geraldo Leite Rosa Neto passará a receber a remuneração nĂŁo mais pela PolĂcia Militar, mas sim pela SPPrev.
Desde abril, quando Geraldo Neto pediu para passar oficialmente à reserva da PM, os proventos deles ainda estavam sendo pagos pela corporação policial.
De acordo com a PM, a remuneração de cerca de R$ 22 mil poderá ser cortada pela SPPrev, caso o tenente-coronel seja condenado pela Justiça Militar à perda de patente pela morte da esposa.
Dentro da PM, Geraldo Leite Rosa Neto enfrenta um processo no Conselho de Justificação (CJ), que pode resultar na expulsão oficial da corporação e abrir caminho para a perda da aposentadoria integral pela SPPrev, passando ao regime comum de aposentadoria do INSS.
Nesse caso, a aposentadoria dele por tempo de serviço vai ser recalculada e, com isso, a remuneração pode cair para o teto previdenciário de R$ 8.475,55 do regime comum de aposentadorias.
“A PolĂcia Militar informa que o vĂnculo financeiro do tenente-coronel da reserva Ă© atualmente com a SĂŁo Paulo PrevidĂŞncia (SPPrev) e que as informações relacionadas Ă pensĂŁo devem ser prestadas por aquela autarquia, sendo que eventuais cortes ou suspensões de pagamento dependem de decisĂŁo judicial”, disse a PM.
“A eventual perda do posto e da patente, bem como impactos sobre remuneração, somente podem ocorrer após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo”, declarou a corporação.
Segundo a PM, a Corregedoria da instituição concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e encaminhou o procedimento à Justiça.
A PolĂcia Civil tambĂ©m concluiu o inquĂ©rito policial, remetido ao Poder Judiciário, que considera o tenente-coronel de 53 anos culpado pelo crime de feminicĂdio e fraude processual. Ele já Ă© rĂ©u na Justiça comum pelos dois crimes.
PM aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa
O que diz a SPPrev
Por meio de nota, a SPPrev confirmou que, a partir do decreto dessa quarta (10), o tenente-coronel passará já nesse mês de junho a receber a pensão por tempo de serviço, solicitada formalmente à PM no último mês de abril.
Os pagamentos são feitos todo dia 05, mas nesse mês de junho, Geraldo Neto receberá em uma folha suplementar até o dia 18, segundo o órgão.
“Todos os militares que vão para a inatividade remunerada passam a integrar o Sistema de Proteção Social dos Militares, conforme previsto na Constituição Federal. Nessa condição, encontra-se também o Tenente-Coronel PM Geraldo Leite Rosa Neto, que passou a perceber seus proventos de inatividade a partir do mês de junho de 2026, sob gestão da São Paulo Previdência (SPPrev)”.
“Os proventos de inatividade dos militares sĂŁo creditados no quinto dia Ăştil de cada mĂŞs, de acordo com o calendário regular de pagamentos” e confirmou que o ” pagamento de qualquer benefĂcio de inatividade decorre de ato administrativo válido de passagem Ă inatividade, praticado pelo ĂłrgĂŁo competente, tratando-se de ato legal, impessoal e vinculado Ă legislação que rege a matĂ©ria”, completou a nota.
“A SPPREV atua exclusivamente como gestora da folha de pagamento dos inativos e pensionistas do Estado e efetuará os pagamentos enquanto o respectivo ato administrativo permanecer válido. Eventuais alterações na situação funcional do militar, inclusive aquelas decorrentes de decisões administrativas ou judiciais, deverĂŁo ser formalmente comunicadas Ă Autarquia para adoção das providĂŞncias cabĂveis no âmbito previdenciário”, declarou o ĂłrgĂŁo.
FeminicĂdio no Centro de SP
Gisele Alves Santana tinha 32 anos quando foi encontrada morta no apartamento onde o casal morava, no Centro de SĂŁo Paulo.
Inicialmente, o caso estava sendo tratado como suicĂdio, mas as investigações da PolĂcia Civil concluĂram que o tenente-coronel matou a ex-esposa e forjou o suicĂdio.
A PM deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior, que agora também recebe uma pensão da SPPrev pela morte da mãe, até que complete a maioridade.
O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no PresĂdio Militar RomĂŁo Gomes, na Zona Norte de SĂŁo Paulo.
Por Rodrigo Rodrigues, g1 SP — São Paulo
Fonte:Â @portalg1






