O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), adotou tom de conciliação ao tratar da possível disputa contra o senador Jayme Campos (União Brasil) pelo Palácio Paiaguás em 2026, num gesto que tenta esfriar a tensão dentro do mesmo campo político que hoje sustenta a base governista no Estado. Após encontro na casa do senador, Pivetta fez questão de destacar a relação pessoal que mantém com Jayme, mesmo diante da perspectiva de os dois estarem em lados opostos na corrida eleitoral.
A fala vai além da cordialidade. Ela revela a tentativa do atual governador de administrar, com diplomacia, um embate que pode colocar frente a frente dois nomes da mesma órbita política: de um lado, Pivetta, que assumiu o comando do Estado com a saída de Mauro Mendes e trabalha a candidatura da continuidade; de outro, Jayme, que sustenta a pré-candidatura e resiste à pressão para abrir mão do projeto. Embora hoje estejam no mesmo campo ideológico e administrativo, os sinais são de que a eleição pode transformar aliados em antagonistas na disputa pelo comando do Estado.
“Considero que sim [há amizade]. O Jayme sempre me tratou muito bem. Temos uma boa relação e não tenho nenhum motivo para ser áspero com ele”, disse Pivetta. A declaração reforça a estratégia de baixar a temperatura do confronto num momento em que o grupo governista ainda busca evitar um racha prematuro. Em outra frente, o próprio governador já admitiu que talvez não haja consenso e que, se isso ocorrer, a definição será transferida para as urnas.
O cenário é de disputa aberta. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em março mostra Wellington Fagundes (PL) na liderança da corrida ao governo, com 37% das intenções de voto, enquanto Pivetta aparece com 22% e Jayme com 21%, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em um eventual confronto direto entre os dois, o levantamento indica novo empate técnico, com 33% para Pivetta e 31% para Jayme. O quadro ajuda a explicar por que nenhum dos dois dá sinais de recuo neste momento.
A equação fica ainda mais sensível porque Mauro Mendes, principal liderança do grupo e presidente estadual do União Brasil, já declarou apoio à reeleição de Pivetta, classificando-o como o nome mais preparado para dar continuidade à atual gestão. Jayme, porém, mantém o discurso de que o União Brasil deve lançar candidatura própria, o que aprofunda a divisão interna e empurra a definição para as convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, a tendência é de convivência calculada: publicamente, Pivetta prega respeito e amizade; politicamente, trabalha para impedir que a pré-candidatura de Jayme se consolide como alternativa competitiva dentro da própria base.
Veja vídeo:
Pivetta considera Jayme amigo mesmo com projetos opostos para governo pic.twitter.com/5WmZidAf3W
— Leiagora Portal de Notícias (@leiagorabr) April 7, 2026
Fonte: leiagora





