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PF investiga Vorcaro por suposta associação a grupo de intimidação

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2026

Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira (14) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). A investigação apura supostas fraudes financeiras bilionárias relacionadas ao antigo Banco Master e a atuação de grupos suspeitos de praticar monitoramento e intimidação de desafetos.

Segundo a PF, Henrique Vorcaro exercia papel central no funcionamento do grupo conhecido como A Turma, apontado pelas autoridades como uma espécie de milícia privada ligada ao empresário. Outro núcleo investigado é chamado de Os Meninos.

De acordo com relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os grupos eram compostos por integrantes responsáveis por ações de vigilância, ameaças e coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias de Henrique e Daniel Vorcaro.

Na decisão que autorizou a prisão, o ministro do STF André Mendonça afirmou que Henrique não apenas se beneficiava das atividades ilegais atribuídas ao grupo, mas também mantinha contato constante com os operadores e financiava as ações investigadas.

A existência da organização foi descoberta após análise de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. As investigações avançaram com a obtenção de conversas encontradas no aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Vazamento de informações sigilosas

Segundo a PF, Marilson Roseno teria coordenado ações de intimidação e obtido informações sigilosas sobre investigações envolvendo Henrique e Daniel Vorcaro. Os dados teriam sido acessados com auxílio de integrantes da própria Polícia Federal.

Entre os investigados está Anderson da Silva Lima, policial lotado na superintendência da PF no Rio de Janeiro. Conforme o relatório, ele era acionado para consultas internas e levantamento de informações sobre apurações sigilosas de interesse do grupo.

A pedido da Polícia Federal, André Mendonça determinou a transferência de Marilson Roseno para o Sistema Penitenciário Federal. Anderson da Silva Lima também foi preso preventivamente.

Outro nome citado nas investigações é Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de Sicário. A PF aponta que ele atuava na gerência dos grupos investigados. Mourão chegou a ser preso em etapa anterior da operação, mas morreu dentro da cela na superintendência da PF em Belo Horizonte.

Ameaças e atuação no Rio de Janeiro

Também foi preso Manoel Mendes Rodrigues, apontado como líder de um braço da organização no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, ele teria participado de ameaças de morte contra o comandante de um iate e um chefe de cozinha em Angra dos Reis.

Testemunhas relataram que Manoel afirmava ser amigo de Vorcaro e mencionava ligação com o jogo do bicho ao realizar as ameaças.

Suspeita de crimes cibernéticos

A PF também identificou David Henrique Alves como um dos integrantes de destaque da organização. Conforme os investigadores, ele seria responsável por contratar hackers para executar monitoramentos ilegais, invasões digitais e derrubada de perfis em redes sociais.

David Henrique Alves já havia sido preso anteriormente durante outra fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, ele foi localizado em um veículo com cinco computadores e objetos pessoais. A suspeita é de que os equipamentos seriam destruídos.

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier também foram presos sob suspeita de participação nos crimes cibernéticos investigados.

Lista de presos

Ao todo, sete pessoas foram presas nesta quinta-feira (14):

  • Anderson da Silva Lima
  • David Henrique Alves
  • Henrique Moura Vorcaro
  • Manoel Mendes Rodrigues
  • Victor Lima Sedlmaier
  • Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos
  • Sebastião Monteiro Júnior

Defesa

A defesa de Henrique Moura Vorcaro classificou a prisão como “grave e desnecessária”. Em nota, os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta afirmaram que a decisão foi tomada antes de o investigado ser ouvido formalmente no processo.

Os defensores também alegaram que os fatos apontados pela investigação ainda não tiveram a legalidade e a racionalidade econômica devidamente demonstradas nos autos.

Fonte: cenariomt

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