O diretor, dramaturgo e ator Maicon D’Paula, de 38 anos, e a atriz e produtora Fernanda Acosta, de 46, estão levando para os palcos uma reflexão sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher com a peça Recortes. O espetáculo nasceu a partir de uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), em parceria com a Companhia VostraZ de Teatro, dirigida por Maicon, com o objetivo de conscientizar públicos de todas as idades sobre o combate a esse tipo de violência.
Na peça, Fernanda interpreta Marina, mãe da menina Mel, vivida pela atriz Safiri Visconi, e esposa de Rodrigo, personagem de Maicon. A trama mostra a trajetória de uma mulher presa em um ciclo de violência de gênero até encontrar apoio para romper com essa realidade.
A narrativa apresenta de forma didática e sensível diferentes formas de violência doméstica, como ciúme excessivo, isolamento social, desvalorização profissional, violência psicológica e patrimonial, cárcere privado, xingamentos e agressões físicas.
História pessoal inspirou a obra
Maicon e Fernanda estão juntos há dois anos. Eles se conheceram ainda no ensino médio, mas o relacionamento só começou cerca de duas décadas depois. Desde então, Fernanda também passou a integrar a companhia teatral, fundada em 2011.
O texto da peça foi escrito pelos dois e se baseia em experiências reais vividas por Fernanda durante um relacionamento anterior que durou 18 anos. Ao Primeira Página, Maicon disse que só soube do passado da esposa durante o processo de pesquisa para desenvolver o espetáculo.
“Eu havia feito uma pesquisa antes sobre o tema e, ao mostrar a ela, ela começou a contar e citar situações que depois usamos como inspiração para deixar o espetáculo mais real. Frases como ‘Ninguém vai te querer’, ‘você está gorda e velha’, ‘se você largar de mim, eu te mato e me mato’ são dizeres reais”, relatou.
Ao final da apresentação, Fernanda rompe a chamada “quarta parede” e revela ao público que a história encenada foi inspirada em um relacionamento vivido por ela no passado. O momento transforma as falas ensaiadas em um desabafo sobre um tema doloroso, mas que precisa ser discutido.
Feminicídios em Mato Grosso
Dados do Observatório Caliandra, ligado ao MPMT, mostram que Mato Grosso registrou em 2025 o maior número de feminicídios dos últimos cinco anos: 54 mulheres foram mortas.
Entre os casos, sete vítimas não possuíam medida protetiva em vigor, o que representa 13% do total. Inicialmente, o número divulgado era de 53 vítimas, mas o dado foi atualizado posteriormente.
Em 2026, o estado já contabiliza quatro casos de feminicídio. Segundo os idealizadores da peça, a intenção do espetáculo é justamente ampliar o debate e incentivar que vítimas busquem apoio antes que a violência chegue a níveis extremos.
A companhia já apresentou a peça em alguns municípios e entidades e, atualmente, está com um projeto em tramitação para levar o espetáculo a outras cidades do estado.
Fonte: primeirapagina





