A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (31), a Operação “No Pulo do Gato” no município de Barra do Garças, a 509 km de Cuiabá. A ofensiva resultou na prisão em flagrante de quatro pessoas e teve como foco principal o combate rigoroso às ligações clandestinas e adulterações em medidores de energia elétrica, práticas que geram prejuízos econômicos e riscos à segurança da rede.
A operação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Barra do Garças, atuando em um esforço conjunto com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e equipes de inspeção da concessionária Energisa Mato Grosso. Os trabalhos de campo iniciaram-se às 8h e percorreram diversos bairros da cidade, baseando-se em cruzamento de dados de consumo e denúncias de irregularidades.
Fiscalizações e 100% de irregularidades detectadas
O balanço da operação revelou um cenário crítico de fraude no município. Durante a ação, as equipes vistoriaram seis imóveis selecionados estrategicamente e, em todos eles, foram confirmadas ilicitudes no fornecimento de energia. O trabalho técnico da Politec foi fundamental para materializar as provas do crime, constatando-se duas modalidades principais de fraude:
- Adulteração de medidores: Em quatro endereços, os aparelhos haviam sido manipulados internamente para registrar um consumo significativamente menor do que o real, configurando estelionato e fraude.
- Ligações clandestinas (Gatos): Em dois imóveis, foi detectada a conexão direta com a rede elétrica da concessionária, sem qualquer tipo de medidor, o que caracteriza o furto de energia pura e simples.
Nos locais onde a fraude foi confirmada, os equipamentos foram substituídos imediatamente por novos medidores blindados, enquanto a fiação irregular das ligações clandestinas foi removida pelas equipes de manutenção da concessionária sob supervisão policial.
Esquema em quitinetes: Energia “inclusa” no aluguel
Um dos casos que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu em um prédio composto por sete quitinetes. No local, o fornecimento de energia operava de forma totalmente à margem da lei. O medidor oficial do prédio já havia sido retirado pela concessionária em uma fiscalização anterior, porém, o fornecimento continuava ativo por meio de um disjuntor ligado diretamente à rede externa.
Segundo o delegado Joaquim Leitão Junior, os inquilinos relataram que os contratos de locação já previam a energia inclusa, sem medição individual. A proprietária do imóvel alegou desconhecimento da irregularidade, mas a investigação apontou que ela possui registros anteriores de intervenções fraudulentas em outros imóveis sob sua responsabilidade, o que enfraqueceu sua linha de defesa durante o depoimento.
Consequências legais e riscos à comunidade
O furto de energia elétrica é crime previsto no Artigo 155 do Código Penal, com pena que pode chegar a quatro anos de reclusão, além da obrigação de ressarcimento dos valores retroativos à concessionária. Todos os quatro detidos foram conduzidos à Central de Flagrantes de Barra do Garças, onde foram interrogados e autuados.
As autoridades reforçam que o “gato” de energia não é apenas um prejuízo financeiro compartilhado por todos os consumidores na tarifa, mas também um grave risco de segurança. Ligações precárias podem causar curtos-circuitos, incêndios em residências e sobrecarga nos transformadores do bairro, provocando quedas de energia para vizinhos que pagam suas contas regularmente.
A Polícia Civil informou que as investigações da Operação “No Pulo do Gato” seguem em andamento para identificar eletricistas particulares que oferecem o serviço de adulteração, visando desarticular toda a cadeia criminosa que sustenta esse tipo de fraude no Vale do Araguaia.
Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Civil de MT, Energisa Mato Grosso e Politec.
Fonte: cenariomt





