Uma megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira (19) jogou luz sobre um sofisticado esquema de corrupção enraizado na administração pública local. A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre mandados judiciais da segunda fase da Operação Eidolon, cujo objetivo é desarticular uma organização criminosa voltada ao desvio e venda ilegal de veículos que estavam apreendidos sob a guarda do município de Sorriso.
A ofensiva, coordenada pelo Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Sorriso, deu cumprimento a cinco mandados de prisão preventiva, nove mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens de restrições econômicas emitidas pelos magistrados da 2ª Vara Criminal da comarca local.
Guarda Municipal e Juiz de Paz lideravam estrutura de fraudes
As investigações apontaram para um cenário alarmante de facilitação interna. O grupo criminoso era liderado operacionalmente por um integrante da **Guarda Municipal**, que usava do cargo para mapear motocicletas e carros depositados nos pátios públicos com baixa probabilidade de resgate pelos donos legítimos, em geral por conta de pesadas multas ou restrições administrativas.
Para legalizar a retirada dos veículos sem levantar suspeitas, o esquema contava com a conivência e os serviços de um **Juiz de Paz** da região. Com o envolvimento de procedimentos cartorários e falsificadores profissionais, a organização confeccionava procurações ideologicamente falsas e emitia termos de liberação fraudulentos. Munidos de acessos privilegiados a sistemas governamentais, os investigados inseriam dados falsos nas plataformas oficiais para “esquentar” os documentos e revender os veículos a receptadores.
Inquérito apura lavagem de dinheiro e peculato
O volume de fraudes documentais atesta a complexidade do grupo, que possuía divisões claras entre o braço técnico-operacional e o núcleo de ocultação patrimonial. Com o avanço das apreensões, a Polícia Civil formalizou o indiciamento dos suspeitos por uma extensa lista de infrações:
- Organização criminosa e estelionato qualificado;
- Peculato (desvio de bem público por servidor) e corrupção passiva;
- Falsificação de documento público e inserção de dados falsos em sistemas de informação;
- Lavagem de dinheiro obtido com a comercialização dos veículos.
A Operação Eidolon compõe o calendário de ações integradas da Polícia Civil de Mato Grosso planejadas para o ano de 2026, vinculada à macro-operação estadual Pharus e ao programa Tolerância Zero, com foco no asfixiamento de redes de corrupção e facções. Os materiais coletados nos endereços de busca serão submetidos a perícias técnicas para rastrear o destino final e os lucros obtidos com os lotes de motos desviados.
| Ficha Técnica da Operação Eidolon | Balanço e Alvos Principais (Sorriso) |
|---|---|
| Ordens Cumpridas | 05 prisões preventivas e 09 buscas domiciliares |
| Modus Operandi | Uso de procurações falsas e sistemas públicos para desviar motos |
| Liderança do Esquema | Membro da Guarda Municipal (Líder Operacional) |
| Apoio de Cartório | Participação ativa de Juiz de Paz na validação de documentos |
O envolvimento de agentes de segurança e autoridades de paz em esquemas de desvio de bens apreendidos quebra a confiança da população nas instituições públicas e evidencia a necessidade urgente de auditorias externas constantes nos pátios de retenção do estado. Você acredita que os pátios de veículos apreendidos deveriam ser 100% privatizados e monitorados por empresas independentes para evitar esse tipo de desvio por servidores ou o fortalecimento das corregedorias públicas com auditorias digitais semanais nos sistemas já seria suficiente? Deixe sua opinião nos comentários.
Fonte: cenariomt




