Quem passa pelo metrô de Nápoles, na Itália, encontra muito mais do que um modo eficiente de transporte para circular por parte da cidade: em mais de 20 paradas do serviço, o visitante também pode dar a sorte de embarcar ou desembarcar em uma das stazioni dell’arte, projeto da cidade que se notabilizou por converter as estações em autênticas galerias de arte com mosaicos, pinturas, esculturas e instalações.
O mais recente exemplar dessa tradição napolitana é a Monte Sant’Angelo, inaugurada em setembro de 2025, com assinatura de Anish Kapoor, na linha 7. Mas muitas outras paradas se destacam ao longo do mapa metroviário da cidade. Duas delas são especialmente famosas: a Toledo e a Dante.
Conheça mais sobre elas.
Toledo
Inaugurada em 2012, a Toledo é talvez a parada mais famosa do metrô napolitano: localizada sob a Via Toledo, que lhe empresta o nome, ela aparece com frequência liderando listas de estações mais bonitas do mundo. Veículos de imprensa como o Daily Telegraph e a CNN a colocaram no topo de seus rankings sobre o assunto e, na época da abertura, o projeto também ganhou o prêmio da International Tunnelling Association, conhecido no ramo como o “Oscar” das obras subterrâneas.
O que tornou a estação projetada pelo espanhol Óscar Tusquets tão famosa não é apenas sua beleza, mas a forma como as escolhas artísticas ecoam uma necessidade arquitetônica que surgiu durante o projeto: as obras acabaram atrasadas porque, durante as escavações, o maquinário acabou encontrando um inesperado aquífero subterrâneo. Quando chegou a hora de embelezar o espaço, a água se tornou uma inspiração recorrente.
Os mosaicos roubam a cena logo na entrada. Idealizadas por William Kentridge e realizadas por Costantino Aureliano Buccolieri, as primeiras artes nas paredes buscam inspiração no tipo de desenho encontrado nos mosaicos existentes nas ruínas de Pompeia, vizinhas a Nápoles, com referências à cultura e às tradições da região.
Ainda mais famosos, porém, são os mosaicos que ficam no teto da estação Toledo, sobre as escadas rolantes: a chamada “Cratera de Luz” abre caminho para a iluminação do sol refletir em pastilhas azuladas que, por sua vez, são duplamente ressaltadas por LEDs estrategicamente posicionados. Quanto mais o visitante desce rumo ao subsolo, mais intensamente azuladas se tornam as tonalidades do teto, remetendo a uma ida para as profundezas das águas, justamente o obstáculo que atrasou a conclusão da estação.
Dante
Situada sob a Piazza Dante (Alighieri), que homenageia o autor da Divina Comédia, essa estação inaugurada em 2002 traz referências ao escritor, mas não se limita a ele. Já na entrada, visitantes são saudados por um letreiro em neon com trechos do Convivio, uma obra aclamada – ainda que muito menos famosa que a Divina Comédia – saída da pena do autor.
Lá embaixo, outros trabalhos artísticos chamam atenção na parada projetada pelo arquiteto Gae Aulenti. Uma das mais conhecidas é a obra sem título de Jannis Kounellis, com pedaços de metal representando trilhos que parecem esmagar sapatos, trens de brinquedo, chapéus e outros itens de vestuário, em uma obra que muitos interpretam como uma representação de jornadas perdidas.
Outro trabalho muito fotografado na estação Dante é “Universo senza bombe, regno dei fiori. 7 angeli rossi” (Universo sem bombas, reino das flores. 7 anjos vermelhos), um impressionante mural de Nicola De Maria que recepciona os visitantes em uma das entradas da estação.
Fonte: viagemeturismo





