Mais de 17,3 mil mulheres estão atualmente protegidas por medidas protetivas de urgência em Mato Grosso, conforme levantamento oficial, em um cenário marcado por reiterados descumprimentos de ordens judiciais e acionamentos policiais imediatos.
As medidas, previstas na Lei Maria da Penha, sĂŁo utilizadas para interromper situações de violĂŞncia domĂ©stica e familiar, permitindo a atuação rápida das forças de segurança e do Judiciário para proteger as vĂtimas e responsabilizar os autores.
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, o estado ocupa a 16ª posição no ranking nacional de medidas protetivas decretadas. O número reflete tanto a incidência de crimes quanto a ampliação das ações repressivas e preventivas adotadas pelos órgãos de segurança pública.
Informações da Diretoria de InteligĂŞncia da PolĂcia Civil apontam que o instrumento tem sido decisivo para romper ciclos de violĂŞncia, evitar a progressĂŁo das agressões e impedir desfechos mais graves, como o feminicĂdio. A legislação permite que a proteção seja concedida mesmo antes da abertura de inquĂ©rito policial, desde que haja risco concreto Ă vĂtima.
As Medidas Protetivas de Urgência são aplicadas em casos de ameaça, lesão corporal, perseguição, cárcere privado e descumprimento de ordem judicial. A proteção permanece válida enquanto persistir a situação de risco, reforçando o caráter preventivo da norma.
Botão do pânico e descumprimento de ordens
Entre janeiro e novembro deste ano, foram solicitadas 5.483 medidas protetivas por meio do aplicativo SOS Mulher, ferramenta que integra a concessão judicial ao botão do pânico virtual. Desse total, 5.106 pedidos foram deferidos pela Justiça.
No mesmo perĂodo, foram registrados 2.063 descumprimentos de medidas protetivas no estado. A conduta configura crime autĂ´nomo, conforme a Lei Maria da Penha, e resulta em novas providĂŞncias policiais e judiciais contra os investigados.
Os dados mostram ainda 514 acionamentos do botão do pânico realizados por mulheres em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Cáceres. Em todos os casos, houve mobilização imediata das forças de segurança para atendimento da ocorrência, registro policial e adoção de medidas legais.
Cada acionamento gera deslocamento de viaturas, possibilidade de prisão em flagrante e comunicação ao Judiciário, ampliando a capacidade de resposta do Estado diante do descumprimento das ordens.
Avaliação de risco e atuação integrada
Outro recurso empregado no enfrentamento à violência doméstica é o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, aplicado 12.265 vezes nas unidades policiais do estado. A ferramenta identifica sinais de reincidência, histórico criminal e outros fatores que orientam decisões estratégicas para evitar a escalada da violência.
A delegada-geral da PolĂcia Civil, Daniela Maidel, destaca que a integração entre tecnologia, investigação e atendimento humanizado tem ampliado a efetividade das ações. Segundo ela, a prioridade Ă© agir com rapidez, prender os autores e garantir a proteção das vĂtimas.
O aplicativo SOS Mulher MT foi desenvolvido em parceria entre a PolĂcia Judiciária Civil, o Tribunal de Justiça e a Secretaria de Estado de Segurança PĂşblica. A ferramenta permite que mulheres com medida protetiva solicitem ajuda imediata, com envio do alerta ao Centro Integrado de Operações de Segurança PĂşblica em atĂ© 30 segundos.
As vĂtimas tambĂ©m podem solicitar medidas protetivas pela internet, sem necessidade de comparecer a uma delegacia. O pedido Ă© analisado por um delegado e encaminhado eletronicamente ao Judiciário, com resposta em poucas horas. As informações sĂŁo da PolĂcia Civil e do Conselho Nacional de Justiça.
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Fonte: cenariomt





