O presidente Emmanuel Macron anunciou nesta segunda-feira (18) a equipe de arquitetura que comandará a aguardada reforma do Louvre. O desafio de repensar o maior museu da França está agora nas mãos dos escritórios STUDIOS Architecture Paris e Selldorf Architects, reconhecidos pela reforma da Fundação Louis Vuitton e pela Frick Collection, em Nova York.
Intitulado “Louvre: Novo Renascimento”, o projeto será a maior transformação do espaço desde 1989, quando a pirâmide de vidro concebida por I.M. Pei foi erguida. A previsão é que o museu passe a receber 12 milhões de pessoas por ano, 3 milhões a mais do que os 9 milhões de visitantes registrados em 2025.
Mona radiante
A Mona Lisa deve ganhar uma sala exclusiva de 2 mil m² sob o pátio Cour Carrée. Painéis no espaço contarão a história da pintura e de seu autor, Leonardo Da Vinci. A ideia é mudar o cenário atual: mesmo exposta no maior salão do museu, a pintura fica com os arredores lotados de pessoas querendo tirar selfies e praticamente ignorando as preciosidades que existem ao redor.
Outro objetivo da reforma é valorizar a Colunata do Louvre. A fachada do século 17, nomeada de Grande Colunata, foi erguida durante o reinado de Luís XIV para servir como entrada monumental do museu. O projeto prevê uma grande praça que levará a esse acesso, ladeada por jardins e caminhos, sendo capaz de transformar essa área hoje esvaziada em um novo espaço badalado na capital francesa.
Também está prevista uma inédita entrada abaixo da colunata Perrault, a leste do edifício. A ideia é que seja uma alternativa à pirâmide de vidro, que já não suporta o fluxo de turistas e tem problemas estruturais, segundo a gestão do museu.
Ainda não há data definida para o início das obras. A equipe de arquitetos deve fazer uma série de consultas com os funcionários do museu, a prefeitura de Paris e visitas ao edifício para aprimorar o projeto antes dos primeiros martelos começarem a bater.
A reforma deve custar entre € 700 milhões e € 800 milhões, segundo assessores de Emmanuel Macron. O Tribunal de Contas francês estima o custo em € 1,15 bilhão.
Equipe da pesada
A escolha dos escritórios foi realizada por um júri internacional com 21 especialistas. O concurso iniciou em junho de 2025 e mais de 100 equipes inscreveram seus projetos.
O grupo vencedor vem de um histórico de grandes obras. O STUDIOS Architecture Paris é a filial francesa de um escritório internacional com mais de 40 anos. Entre seus principais projetos estão a já mencionada Fundação Louis Vuitton e a LUMA Foundation, em Zurique, feitas em parceria com o arquiteto Frank Gehry.
Já o Selldorf Architects é original de Nova York e está há mais de 35 anos em atuação. Fundado pela alemã Annabelle Selldorf, o escritório entregou projetos como a Frick Collection e a Ala Sainsbury da National Gallery, em Londres, além do Smithsonian American Art Museum e o Museum of Contemporary Art San Diego.
O paisagismo fica por conta da BASE Paysagiste, uma agência francesa fundada em 2000. A turma de 90 arquitetos já executou obras como a Zona Comercial de Bourdeaux-Lac e o espaço público conectado ao redor do aqueduto Saint-Clément e da Place Royale du Peyrou, em Montpellier.
Desafios do Louvre
O Louvre enfrenta um problema crescente de superlotação. Projetado nos anos 1980 para receber cerca de 4 milhões de visitantes por ano, o museu ultrapassou os 9 milhões em 2025. A pirâmide de vidro virou um gargalo de circulação, com filas constantes e dificuldade para acomodar o público.
O prédio histórico também sofre com desgaste estrutural e problemas de conservação. A direção do Louvre alertou para infiltrações, variações de temperatura e deterioração de áreas internas, fatores que colocam em risco o conforto dos visitantes e a preservação do acervo.
O museu também enfrentou paralisações de funcionários e teve sua segurança questionada após um roubo milionário de joias no último ano, com a subtração de peças avaliadas em € 88 milhões. Investigações posteriores apontaram câmeras insuficientes e sistemas de vigilância obsoletos.
Fonte: viagemeturismo




