Inaugurado em 2024 com uma participação por videoconferência do ditador chinês, Xi Jinping, o megaterminal foi construído e está sendo operado pela estatal chinesa Cosco em parceria com a empresa de mineração peruana Volcan.
O projeto gera preocupações em Washington por simbolizar a influência econômica de Pequim nas Américas e sobre possível uso dual (civil e militar).
Nesta quarta-feira (26), o deputado americano Carlos Gimenez, do Partido Republicano, publicou um artigo no site The Washington Reporter no qual chamou o Porto de Chancay de “Dragão de Troia”.
“Pequim apresenta Chancay como um investimento multibilionário no futuro do Peru. Mas, por trás das promessas de comércio e desenvolvimento, esconde-se a mesma estratégia que o Partido Comunista Chinês tem utilizado em todo o mundo: investimentos maciços com apoio estatal, controle de longo prazo sobre infraestruturas estratégicas, concorrência econômica desleal, pressão sobre instituições locais e uma dependência crescente em relação a Pequim”, escreveu o deputado.
“Chancay não é apenas um porto. Deve servir de alerta para todo o nosso hemisfério”, acrescentou Gimenez.
Em junho, um tribunal do Peru ordenou que o governo do país supervisionasse o porto, anulando uma decisão de janeiro que isentava o terminal de Chancay de certas formas de supervisão por parte da Ositran, a agência reguladora de infraestrutura peruana.
O embaixador dos EUA no Peru, Bernie Navarro, celebrou a decisão judicial, postando no X emojis de mãos batendo palmas ao compartilhar uma notícia sobre o assunto. A Cosco recorreu da decisão e o Tribunal Constitucional peruano (TC) analisará o tema.
Em 2024, a general Laura Richardson, então comandante do Comando Sul dos EUA (Southcom, na abreviação em inglês), havia alertado que a Marinha chinesa poderia utilizar o Porto de Chancay como base para ações estratégicas. “Esse é um roteiro que já vimos se desenrolar em outros lugares”, declarou na ocasião.
A nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, busca uma maior aproximação com os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo sofre a pressão da China.
Em 27 de julho, um dia antes de tomar posse, ela se reuniu com um enviado especial do regime chinês, Yin Hejun.
“A China permanece como o maior parceiro comercial e o maior mercado de exportação do Peru há 12 anos consecutivos, e o Porto de Chancay — um projeto emblemático da cooperação de alta qualidade entre os dois países no âmbito da Nova Rota da Seda [projeto chinês de investimento em infraestrutura em outros países] — tem apresentado resultados impressionantes”, afirmou a diplomacia chinesa em comunicado.
A presença chinesa nas Américas tem gerado atritos diretos entre Pequim e Washington: este mês, o embaixador americano na Argentina, Peter Lamelas, se manifestou contra a presença de tecnologia chinesa na região dos campos de gás e petróleo de Vaca Muerta e em outros setores estratégicos do país sul-americano.
“A China exige que as empresas concedam ao Estado chinês acesso a quaisquer dados que passem por sua tecnologia. Tudo é controlado pelo Partido Comunista Chinês; isso é inaceitável. Tampouco ajudará a atrair investidores estrangeiros para Vaca Muerta”, disse o embaixador.
Em resposta, a China afirmou que Lamelas age “motivado por uma mentalidade de Guerra Fria”. Com a controvérsia sobre Chancay, o Peru pode ser o próximo palco desse embate.
Fonte: gazetadopovo





