O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, o programa Desenrola 3.0, um plano para comprar até R$ 150 bilhões em dívidas das famílias. A estimativa é reduzir pela metade o endividamento familiar, estimado em R$ 300 bilhões.

A iniciativa tem como objetivo renegociar débitos em atraso há mais de dois anos e que os bancos já consideram “irrecuperáveis” [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-estuda-medidas-endividamento-das-familias/]. O Tesouro Nacional financiaria a aquisição das carteiras de crédito das dívidas, que o governo pretende adquirir dos bancos com deságio de até 90%, porque já seriam dinheiro perdido para instituições financeiras.

Dívidas de até R$ 10 mil

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, declarou que serão consideradas dívidas de até R$ 10 mil, tanto no cartão de crédito quanto no rotativo. A intenção é usar R$ 15 bilhões do Tesouro.

“Estamos falando de limpar da carteira R$ 150 bilhões em dívida. É muito forte, é muito potente para que essas famílias possam recomeçar”, afirmou ele no evento.

O deságio seria obtido por meio de leilões, e venceria a instituição financeira que oferecesse o maior desconto.

Fracasso em versões anteriores

As primeiras versões do programa, lançadas em 2023 e em maio deste ano, foram vistas como iniciativas fracassadas. Dados do Banco Central indicaram que, para cada R$ 1,00 negociado na primeira etapa do programa, foram gerados R$ 1,15 em novas dívidas.

O Desenrola Brasil foi voltado a rendas de até dois salários-mínimos e débitos de até R$ 5 mil, estendendo-se até maio de 2024. Já o Novo Desenrola Brasil, concluído em agosto de 2026 após prorrogação, mirou rendas de até cinco salários-mínimos, com autorização para uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

As dívidas só cresceram e alcançaram recordes no terceiro governo Lula.

Embora 15 milhões de pessoas tenham participado do Desenrola, o endividamento geral não caiu de forma sustentável, o que levantou dúvidas sobre a eficácia da fórmula de trocar dívidas presentes por débitos futuros.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que Lula anunciou a proibição de bets [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-anuncia-proibicao-das-bets-a-9-dias-da-eleicao/], outra medida para melhorar as intenções de voto [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/desespero-lula-reajuste-bolsa-familia/?ref=veja-tambem] às vésperas do pleito de outubro.