Depois de uma década atravessando regiões remotas da Amazônia para produzir o documentário Floresta das Águas (2026), que retrata a vida na selva sob a perspectiva do ciclo das águas, o cinegrafista brasileiro João Paulo Krajewski acumulou uma seleção particular de hospedagens. São lodges e pousadas que funcionaram como base para as suas expedições e que são portas de entrada para a floresta. E, ao contrário do que se imagina, com muito conforto e poucos mosquitos.
João Krajewski venceu o Emmy – o Oscar da TV – em 2025 na categoria Melhor Fotografia pelo documentário O Mundo Secreto dos Sons com David Attenborough (2024), disponível na Netflix, produção em que o famoso naturalista britânico mostra como os animais usam a audição para caçar e se comunicar. Agora, em sua produção focada na Amazônia, o enredo coloca os rios como protagonistas para contar a história da floresta. A produção em quatro episódios está disponível no canal Animal Planet desde abril.
A seguir, confira os endereços que serviram de base para Krajewski durante suas incursões e que se destacaram tanto pela localização estratégica quanto pela biodiversidade:
1. Pousada Thaimaçu (Pará)
A Pousada Thaimaçu está na transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado, ao sudoeste do Pará. Mais precisamente, nos 73 mil hectares do Refúgio de Vida Silvestre Rios São Benedito e Azul. A área faz limite com outro extensa região protegida, onde está situado o Campo de Provas da Aeronáutica Brigadeiro Velloso, com mais de 2 milhões de hectares.
A hospedagem se destaca pela imersão em um ambiente de alta biodiversidade, com espécies endêmicas de peixes, aves e vegetação ainda pouco documentadas. Frequentador da região há mais de dez anos, João destaca o local como um dos melhores pontos para observação de aves raras, como o papagaio-careca; de espécies de primatas, como o macaco-aranha-de-cara-branca e o cuxiú-de-nariz-branco; e das gigantes ariranhas.
2. Cristalino Lodge (Mato Grosso)
Localizado entre mais de 11 mil hectares de floresta preservada ao norte do Mato Grosso, o Cristalino Lodge é referência em turismo de natureza e conservação ambiental. Inserido em uma zona de transição entre Amazônia e Cerrado, o local combina hospedagem de alto padrão com preservação, em parceria com a Fundação Cristalino.
A estrutura foi projetada para minimizar impactos ambientais e proporcionar experiências imersivas. Por lá, há torres de observação com vista panorâmica, acesso aos rios Cristalino e Teles Pires e contato com uma das maiores concentrações de biodiversidade da Amazônia.
João define a reserva como um dos melhores lugares para observar aves de topo de floresta, como cotingas (espécie com penagem vibrante), araçaris (semelhante ao tucano) e papagaios-anacãs. Ele também destaca a presença de grandes mamíferos: “é um dos melhores lugares para observar antas e outros animais raros, como veados e até onças, que se aproximam dos rios, especialmente na época seca”.
3. Rio Azul Jungle Lodge (Amazonas)
O Rio Azul Jungle Lodge está na Serra do Cachimbo, uma das portas de entrada da Floresta Amazônica no extremo sul do Pará. Com proposta de ecoturismo intimista, o local opera com grupos reduzidos, priorizando atividades personalizadas e de baixo impacto ambiental.
Toda a estrutura foi pensada para manter o bioma como protagonista, proporcionando uma imersão nos sons, cores e dinâmicas da região. João destaca especialmente o rio que dá nome ao lodge: “é um dos mais belos e cristalinos da Amazônia, principalmente na época seca, quando é possível ver os peixes no fundo com clareza impressionante”.
A região também abriga grande diversidade de primatas, incluindo o raro macaco-da-noite. Durante o período de chuvas, surgem lagoas de águas cristalinas formadas por nascentes, onde é possível nadar entre dezenas de espécies de peixes.
4. São Benedito Lodge (Pará)
Às margens do Rio São Benedito, no sul do Pará, o São Benedito Lodge surgiu em 2007 como um rancho de pesca esportiva e foi estruturado como pousada no ano seguinte. Com o tempo, expandiu suas operações incorporando novas embarcações, equipe especializada e até uma pista de pouso própria, com 1.200 metros.
O lodge se destaca pelas paisagens marcadas por fluxos de água e pela rica avifauna. João chama atenção para a força cênica do lugar: “as corredeiras do rio criam um cenário único, que se soma à presença de espécies raras, como a harpia”.
5. Pousada Rio Roosevelt (Amazonas)
No coração da Amazônia, a Pousada do Rio Roosevelt ocupa uma das áreas mais preservadas da região. O acesso exclusivamente aéreo reforça seu caráter isolado e de baixa intervenção ambiental.
Os chalés, posicionados de frente para o rio, estão inseridos em um cenário de trilhas, igarapés e intensa presença de fauna silvestre. O local se destaca ainda pela torre de observação de aves e pela possibilidade de percorrer trechos ligados à histórica expedição de Theodore Roosevelt.
João ressalta um espetáculo sazonal: “entre maio e agosto, acontecem grandes revoadas de papagaios que descem para se alimentar nas margens do rio, é uma cena impressionante”.
6. Pousada Anacã (Mato Grosso)
Com proposta intimista e estrutura enxuta, a Pousada Anacã funciona como base prática para explorar a região de Alta Floresta e seu entorno. São poucos quartos e o foco é na conexão com o ambiente ao redor.
João destaca a presença frequente de primatas, além das iniciativas de conservação: “o trabalho do projeto Reconecta é fundamental. Eles instalaram pontes de passagem de fauna, permitindo que os macacos atravessem estradas com segurança, sem risco de atropelamento.”
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Fonte: viagemeturismo




