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Laser 3D do Coliseu chega ao Museu do Ipiranga: Tecnologia de Monitoramento em Destaque

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2026

O Coliseu é o cartão-postal de Roma e está entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. A construção, datada do Império Romano e concluída no ano 80 d.C., é constantemente monitorada. Ao longo dos séculos, a área enfrentou diversos terremotos e, hoje, ainda está sujeita às vibrações provocadas pelo trânsito e pelo sistema de metrô, que passa quase embaixo do Coliseu.

Entre as tecnologias utilizadas para auxiliar na conservação do monumento está um sistema de escaneamento a laser 3D voltado para edifícios históricos. Portátil e com o tamanho de uma caixa de sapatos, o equipamento consegue escanear toda a estrutura e criar um modelo digital tridimensional, permitindo identificar pontos de atenção e possíveis fragilidades.

O sistema, da Universidade de Ferrara, também na Itália, funciona por meio de raios laser de alta precisão, que mapeiam geometricamente as superfícies da construção. Além disso, ele registra a quantidade de luz refletida pelos materiais, o que ajuda a identificar características como tipo de material, umidade, presença de mofo e outras alterações que podem indicar problemas estruturais ou de conservação.

Além de reunir dados sobre as características físicas, o modelo digital também pode integrar informações sobre sistemas e tecnologias presentes na estrutura.

Agora, essa ferramenta será implementada no Museu do Ipiranga, um dos pontos mais conhecidos de São Paulo. A novidade foi anunciada na semana passada pela professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Segundo ela, os trabalhos devem começar em julho e serão realizados gradualmente, sem interferir no funcionamento do museu. 

Duas representações de um edifício em preto, com detalhes coloridos em azul, verde, amarelo e vermelho. A imagem superior mostra um corte transversal, revelando a estrutura interna e os andares. A imagem inferior exibe a fachada frontal, com janelas e portas visíveis
(Ipiranga Digital/Reprodução)

Construído no local onde Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil, em 1822, o Museu do Ipiranga foi inspirado em palácios renascentistas europeus. Integrado atualmente à Universidade de São Paulo, o edifício permaneceu fechado para restauração durante nove anos e reabriu ao público em 2022.

Antes das obras, a equipe da Universidade de Ferrara realizou o escaneamento do museu. Agora, o procedimento será repetido pela mesma instituição. A tecnologia também já foi usada para o escaneamento do edifício da FAU-USP, identificando intervenções pontuais necessárias para sua conservação. Confira o resultado do modelo 3D da Faculdade:

Modelo 3D de um edifício retangular com fachada amarela e janelas vermelhas e azuis, sustentado por pilares triangulares em um terreno marrom-alaranjado, sobre fundo preto
(FAU-USP/Reprodução)

A proposta é criar um modelo tridimensional completo do estado atual do Museu do Ipiranga, tanto em suas áreas internas quanto externas. Com isso, será possível comparar os dados obtidos antes e depois da restauração e mensurar o comportamento da estrutura após a reforma. Esses dados permitirão criar um sistema de monitoramento do edifício. 

“Para ter dados de fato comparáveis, é fundamental utilizar a mesma metodologia e os mesmos pontos de referência. Dependendo de como o escaneamento é feito, ele pode ter muitas imprecisões. Se for muito bem planejado, com muita consistência, dá resultados muito precisos”, explicou Kuhl em comunicado.

Mesmo sem enfrentar terremotos como os de Roma, o monitoramento de edifícios históricos é importante para identificar precocemente possíveis danos e problemas de conservação, antes que eles se agravem e demandem reformas invasivas, caras e demoradas.

Além disso, o projeto prevê utilizar os dados coletados pelo modelo 3D para alimentar um sistema HBIM (Modelagem da Informação de Edifícios Históricos, na sigla em inglês), que passará a funcionar como uma plataforma de gestão e conservação do Museu do Ipiranga.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

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