– A Justiça determinou a suspensĂŁo imediata dos descontos realizados pela empresa Capital Consig Sociedade de CrĂ©dito Direto S.A. no benefĂcio previdenciário de uma aposentada em Cuiabá, levantando mais suspeitas sobre a atuação do grupo no Estado. A decisĂŁo liminar foi proferida na Ăşltima sexta-feira (6) pelo juiz Yale Sabo Mendes, da 7ÂŞ Vara CĂvel de Cuiabá.
A beneficiária, que sobrevive com um salário mĂnimo mensal, denunciou que vem sendo lesada desde março deste ano com descontos de R$ 98,84 referentes a dois supostos cartões de crĂ©dito consignado — um chamado de RMC (Reserva de Margem Consignável) e outro RCC (CartĂŁo Consignado de BenefĂcio). Ela nega ter solicitado ou autorizado qualquer tipo de contratação com a empresa.
Na análise do caso, o magistrado concluiu que há indĂcios claros de abusividade e apontou falhas graves quanto Ă transparĂŞncia da operação. Para ele, cabe Ă empresa provar que a contratação realmente ocorreu, que a aposentada recebeu os cartões e foi devidamente informada sobre os encargos. Enquanto isso nĂŁo acontecer, os descontos devem cessar imediatamente.
A decisão também proibiu a realização de novas cobranças relacionadas aos contratos questionados. A empresa terá 15 dias para cumprir a ordem, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
Grupo investigado
O caso da aposentada não é isolado. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) já havia determinado, na semana anterior, a suspensão de todos os descontos em folha de empresas ligadas à Capital Consig, incluindo as consignatárias Cartos, BemCartões e ClickBank. A medida também bloqueia novas operações de crédito consignado para servidores do Executivo estadual.
Segundo o secretário BasĂlio Bezerra, há fortes indĂcios de que essas empresas atuam de maneira integrada, formando um possĂvel grupo econĂ´mico irregular. Servidores relataram confusĂŁo entre as marcas — em alguns atendimentos, funcionários da Cartos afirmaram ser da prĂłpria Capital Consig. Uma das denĂşncias, inclusive, anexou imagens que mostram logotipos semelhantes entre as empresas, sugerindo uma relação institucional.
Além disso, um levantamento da Seplag mostrou um crescimento fora da curva nas operações da Cartos: os valores consignados saltaram de R$ 161,9 mil em janeiro para R$ 587,3 mil em maio de 2025 — um aumento de mais de 260% em apenas cinco meses.
A Capital Consig já havia sido suspensa em agosto de 2024 do sistema estadual de consignados, após as primeiras denúncias. A Seplag destaca que os lançamentos são realizados diretamente pelas empresas, por meio da Câmara de Pagamentos Interbancária (CIP), o que dificulta o controle prévio por parte do governo estadual.
A investigação conta com apoio de uma força-tarefa e da Delegacia Especializada do Consumidor, que apuram a suposta atuação fraudulenta do grupo. Durante o perĂodo de suspensĂŁo, tambĂ©m fica proibida a inclusĂŁo dos nomes dos servidores em cadastros de inadimplĂŞncia, bem como a cobrança de juros ou parcelas acumuladas.
Fonte: odocumento




