Um estudo realizado pelo laboratório de genética Genera, com base na análise genética de mais de 200 mil brasileiros, revelou que 51% da população tem predisposição para desenvolver intolerância à lactose. A condição, causada pela redução ou ausência da enzima lactase, responsável por digerir o açúcar presente no leite, afeta milhões de pessoas e tem impulsionado a procura por alimentos adaptados em todo o país.
Para quem convive com a intolerância, o desafio vai muito além de deixar de consumir leite. Um dos alimentos mais queridos pelos brasileiros, o chocolate, também costuma sair da rotina ou exigir adaptações.
Foi o que aconteceu com a estudante de Medicina Alana Souto. Ainda criança, ela descobriu que era intolerante à lactose e precisou encontrar alternativas para continuar consumindo doces como brigadeiro, bolos e chocolates.
“É um desafio porque eu gosto muito de chocolate e brigadeiro. Nem sempre é fácil encontrar essas opções no mercado. Aqui em Cuiabá, por exemplo, não encontro leite condensado vegano e precisei aprender outras formas de fazer as receitas”, conta.
Com o tempo, ela passou a preparar versões sem leite em casa e também encontrou confeiteiras especializadas na capital. Assim, voltou a comemorar aniversários com bolo e brigadeiro adaptados.
Segundo o gastroenterologista Carlos Eduardo Miranda de Barros, a intolerância costuma surgir porque o organismo reduz naturalmente a produção da enzima lactase ao longo da vida.
“O ser humano é o único mamífero que continua consumindo leite na fase adulta. Entre 30% e 40% da população apresenta intolerância à lactose”, explica.
Entre os sintomas mais comuns estão dores abdominais, excesso de gases, inchaço, cólicas e diarreia após o consumo de leite e derivados. A intensidade varia de acordo com a quantidade de lactase produzida pelo organismo.
Mercado se adapta
O aumento da demanda por alimentos sem lactose também mudou o mercado. Em Cuiabá, lojas e confeitarias especializadas ampliaram o cardápio para atender consumidores que possuem restrições alimentares.
O empresário Lázaro Gusmão conta que o negócio nasceu dentro da própria família. Os pais são diabéticos, a irmã é intolerante ao glúten e a sobrinha à lactose. A necessidade de oferecer alimentos seguros acabou dando origem à empresa.
Hoje, o estabelecimento produz brigadeiros, brownies, bolos, chocolates recheados, sorvetes, pão de mel e diversas sobremesas adaptadas.
Segundo ele, a procura praticamente dobrou nos últimos cinco anos.
“A gente reproduz praticamente tudo o que existe na confeitaria tradicional. A procura aumentou bastante e praticamente dobrou nesse período”, afirma.
Inclusão ainda pesa no bolso
Apesar da oferta crescente, o preço continua sendo um dos principais obstáculos para quem depende desses produtos.
Alana afirma que itens sem lactose ou veganos ainda custam muito mais do que os convencionais.
“A diferença é muito grande. Um leite vegetal custa bem mais que o leite de vaca, e o leite condensado vegano também é muito mais caro. Algumas marcas já oferecem chocolates sem leite, mas eles ainda pesam no bolso.”
Para quem convive com a intolerância, a ampliação da oferta representa mais do que variedade nas prateleiras. Significa a possibilidade de participar de momentos simples do dia a dia, como comer um brigadeiro em uma festa de aniversário ou dividir uma sobremesa com a família, sem abrir mão da saúde.
Fonte: primeirapagina





