Escondido (literalmente) por quase um século no sótão de uma igreja, Londres guarda o mais antigo “teatro cirúrgico” ainda preservado do Reino Unido – e um dos mais velhos da Europa. Convertido em museu nos anos 1960, o local pode ser visitado e oferece uma visão única de um dos momentos mais fascinantes da história da medicina: revisitar como eram feitas e ensinadas as operações no século 19, antes da invenção da anestesia moderna.
O Old Operating Theatre Museum and Herb Garret conserva não apenas o anfiteatro de operações, onde estudantes de medicina podiam se sentar para observar os trabalhos do cirurgião-professor, mas também um espaço anexo onde os antigos boticários conservavam ervas e outros produtos medicinais para ajudar nos tratamentos.
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Um vislumbre dos antigos teatros cirúrgicos
Como o “teatro” no nome indica, o espaço tinha uso duplo: era tanto um local para a realização de cirurgias de verdade quanto uma área de aprendizado. O salão é rodeado por pequenas arquibancadas semicirculares onde os estudantes se posicionavam para assistir à cirurgia e fazer anotações. Embaixo, no centro, ficava o espaço para a maca onde a operação seria realizada.
O bloco cirúrgico que hoje abriga o museu tinha vinculação com a St Thomas’s Church e o hospital homônimo, que originalmente funcionava no local. Segundo os registros disponíveis, o anfiteatro foi construído em 1822 e permaneceu em uso pelas quatro décadas seguintes, antes da transferência do Hospital St Thomas para a localização atual.
Nessa época de pioneirismo, as operações exigiam coragem de todos os envolvidos: sem a anestesia moderna à disposição, cirurgiões precisavam ser rápidos – quanto mais veloz o procedimento, menor o tempo da agonia infligida aos pacientes. A velocidade, porém, também aumentava o risco de complicações e a taxa de óbitos. Uma anedota famosa dessa época conta sobre uma cirurgia com 300% de letalidade: fazendo movimentos rápidos até demais, o médico responsável acabou cortando por acidente um ajudante e um observador – nem eles nem o paciente resistiram.
A história do museu
Outro risco inerente aos teatros cirúrgicos desse período era a maior propensão a infecções, já que o espaço onde a operação ocorria não era esterilizado adequadamente ou isolado dos observadores. Quando novas descobertas médicas foram se acumulando ao longo do século 19, espaços rudimentares como o localizado na St Thomas’s Church caíram em desuso. Muitos foram destruídos ou reformados.
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É por isso, também, que o museu de Londres abriga uma experiência única: o teatro não é uma recriação, mas um espaço original que permaneceu praticamente intocado desde o período em que foi abandonado, em 1862. Após a mudança do hospital, a área – acessível apenas por uma escadinha em espiral na igreja – ficou esquecida por praticamente um século inteiro, e só foi redescoberta em 1957, quando os novos responsáveis pelo templo decidiram investigar o que havia no sótão.
Após se dar conta do que haviam descoberto, decidiram preservar o espaço e transformá-lo em um museu, que abriu em 1962, marcando os 100 anos da última operação realizada naquele recinto.
Como visitar
O museu abre de quinta-feira a domingo, das 10h30 às 17h. O ingresso para adultos costa £9 por pessoa, e pode ser reservado com antecedência online – também há gratuidades e pacotes familiares. Confira as opções no site.
Visitantes com limitação de movimento devem contatar o museu com antecedência. Algumas partes da visita exigem adaptações – o acesso ao sótão, por exemplo, é feito por uma pequena escadaria em espiral com 52 degraus. Em caso de dúvidas, o museu disponibiliza um guia online com fotos internas e instruções sobre a acessibilidade.
O Old Operating Theatre Museum and Herb Garret fica na St Thomas’s Church, na 9a St Thomas Street, em Londres SE1 9R.
Fonte: viagemeturismo