Mundo

Governo suspende dragagem no Rio Tapajós devido a protesto indígena

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

O governo federal suspendeu nesta sexta-feira (6) o processo de contratação de uma empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, no Pará. A medida foi anunciada em nota conjunta assinada pelos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, Sílvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas.

A decisão ocorre após cerca de 15 dias de mobilizações lideradas por povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais em Santarém, no oeste paraense. Os atos contestam a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada e pedem a revogação do Decreto 12.600, editado no ano passado.

Considerado um corredor estratégico para o escoamento da produção do agronegócio, o modal aquaviário enfrenta resistência de comunidades ribeirinhas da região. Segundo o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, aproximadamente 7 mil indígenas de 14 etnias vivem no Baixo Tapajós.

Na nota oficial, os ministros afirmam que a suspensão da dragagem representa um gesto de negociação com os manifestantes, mas destacam que a obra não está diretamente vinculada ao processo de concessão da hidrovia. De acordo com o governo, a dragagem é uma ação rotineira, realizada em anos anteriores para garantir a navegabilidade durante períodos de estiagem.

Consulta prévia

O governo também reiterou o compromisso de realizar consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas antes de qualquer empreendimento relacionado à hidrovia do Tapajós, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Esse compromisso havia sido assumido durante a COP30, após protestos de indígenas Munduruku, e foi novamente reforçado na nota divulgada nesta sexta-feira.

Negociação e grupo de trabalho

Como parte do processo de diálogo, representantes do governo federal serão enviados a Santarém para negociar com os manifestantes, com acompanhamento do Ministério Público Federal.

Também será criado um grupo de trabalho interministerial, com participação de órgãos federais e representantes indicados pelos povos indígenas da região, para discutir e orientar os processos de consulta prévia. O governo se comprometeu ainda a apresentar um cronograma dessas consultas em diálogo com as comunidades locais.

Alertas socioambientais

Entidades indígenas alertam para os riscos ambientais e sociais associados à dragagem do Rio Tapajós. Entre os impactos apontados estão prejuízos à pesca, erosão das margens, ressuspensão de contaminantes e danos a um dos principais corredores ecológicos da Amazônia.

As organizações também criticam a ausência de estudos de impacto ambiental completos apresentados às comunidades potencialmente afetadas pelo projeto.

Para receber nossas notícias em primeira mão,

adicione Dia de Ajudar às suas fontes preferenciais no Google Notícias
.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.