O governador Mauro Mendes e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, anunciaram nesta quarta-feira (11), durante entrevista coletiva, que o governo de Mato Grosso vai protocolar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) uma proposta de R$ 25 milhões à vista para comprar o prédio da Santa Casa, em Cuiabá. e manter o hospital estadual em funcionamento com novo perfil assistencial.
A compra ocorre após quase sete anos de requisição administrativa da unidade. Desde 2019, o Estado já repassou cerca de R$ 34 milhões ao TRT para amortizar dívidas trabalhistas da antiga gestão, segundo o governo.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a proposta garante a continuidade dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) e reorganiza o hospital em seis eixos principais: home care, cuidados paliativos, central estadual de diagnóstico com telemedicina, ampliação da oncologia e nefrologia, hospital de cirurgias gerais de curta permanência e implantação do Serviço de Verificação de Óbito.
A venda do imóvel foi determinada pela Justiça do Trabalho para quitar dívidas trabalhistas acumuladas pela antiga gestão da instituição. Inicialmente, o valor mínimo fixado para a alienação era de R$ 54,7 milhões. O prédio da Santa Casa foi avaliado em R$ 78,2 milhões e chegou a ser ofertado por R$ 39,1 milhões pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso. A proposta atual do governo, de R$ 25 milhões, representa uma redução de 48,8% em relação à última oferta do TRT e de cerca de 68% abaixo do valor original de avaliação do imóvel.
Novo perfil
De acordo com o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, a decisão encerra a incerteza sobre o futuro da unidade. “Jamais vamos abandonar os pacientes no meio do caminho. Não seria eu que trouxe a proposta para reabrir a Santa Casa em 2019 que encerraria minha passagem sem apresentar uma solução definitiva”, afirmou.
A Santa Casa tem hoje 103 leitos e 10 salas cirúrgicas. Desde 2019, realizou mais de 2,5 milhões de procedimentos, com média de 38 mil atendimentos mensais. O investimento estadual no período ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
Segundo o secretário, 70% dos serviços já estão programados para migração ao Hospital Central, mas oncologia e hemodiálise pediátrica não puderam ser transferidas por falta de alternativa na rede. “Contratualizamos serviços com o Hospital do Câncer, mas ele não conseguiu absorver toda a demanda. Não podemos deixar de ofertar esses atendimentos”, disse.
Home care e paliativos
O plano prevê 70 leitos para home care e desospitalização, incluindo UTIs e leitos pediátricos, além de 40 leitos voltados a cuidados paliativos.
O governador Mauro Mendes destacou que o serviço de atendimento domiciliar hoje é majoritariamente judicializado. “Hoje esse serviço é prestado por decisão judicial. Isso já representa quase R$ 300 milhões. Ao estruturar isso dentro da Santa Casa, teremos organização e racionalização desse custo”, afirmou.
Polo estadual de diagnóstico
Outro eixo é a criação de uma central estadual de diagnóstico com telemedicina para atender os 142 municípios. A proposta inclui exames de imagem, laudos à distância e suporte aos hospitais regionais, com redução no tempo de espera por diagnóstico.
O Estado terá prioridade na aquisição do imóvel, caso o governo federal não manifeste interesse. O TRT ainda pode receber outras propostas.
Fonte: primeirapagina






