O governo federal anunciou nesta quinta-feira (30) a segunda etapa do programa MoveBrasil, voltado ao financiamento da renovação da frota de caminhões com condições facilitadas para transportadoras, cooperativas e caminhoneiros autônomos.
O novo pacote financeiro totaliza R$ 21,2 bilhões, valor mais que o dobro da primeira fase, que havia disponibilizado R$ 10 bilhões e teve os recursos totalmente contratados em poucos meses.
Além dos caminhões, a nova etapa também passa a contemplar o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como carrocerias e reboques. Do total, R$ 6,7 bilhões são aportes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 14,5 bilhões vêm do Tesouro Nacional.
O BNDES segue como operador do programa, que será executado em parceria com instituições financeiras. O teto de financiamento por beneficiário permanece em até R$ 50 milhões.
Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as condições foram aprimoradas, com ampliação de prazos de carência, extensão do tempo de pagamento e redução das taxas de juros.
O presidente também pediu maior agilidade na liberação de crédito, especialmente para caminhoneiros autônomos, destacando que parte dos recursos iniciais ainda não havia sido liberada devido à preferência dos bancos por grandes empresas.
Segundo o governo, os caminhoneiros autônomos terão condições diferenciadas, podendo parcelar os financiamentos em até 10 anos, com carência de 12 meses. A taxa de juros foi reduzida para cerca de 11,3%, abaixo dos níveis anteriores que ultrapassavam 14%.
O ministro da Fazenda destacou que a medida também espera impactos positivos na indústria, com expectativa de redução no preço dos veículos e manutenção de empregos no setor automotivo.
Representantes da indústria afirmaram que o programa fortalece toda a cadeia logística, essencial para o abastecimento e exportação de produtos no país.
Requisitos ambientais
O programa estabelece critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica para a concessão do crédito, incentivando a compra de veículos mais eficientes e menos poluentes.
Também há incentivos adicionais para a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos e sustentáveis, com condições de financiamento ainda mais favoráveis.
O transporte rodoviário responde por cerca de 60% da movimentação de cargas no Brasil e é considerado estratégico para a economia nacional. O setor, no entanto, enfrenta desafios como frota envelhecida, altos custos operacionais e impacto ambiental elevado.
Medidas Provisórias
Durante o evento, o governo assinou duas Medidas Provisórias para viabilizar a expansão do programa e fortalecer mecanismos de crédito.
A primeira autoriza a ampliação da participação da União no Fundo Garantidor para Investimentos, com aumento de até R$ 2 bilhões, ampliando a capacidade de garantia para micro, pequenas e médias empresas.
A segunda cria um crédito extraordinário de R$ 17 bilhões para sustentar o novo pacote, incluindo recursos destinados ao próprio programa, ao fundo garantidor e ao estímulo às exportações.
O governo afirma que as medidas têm como objetivo ampliar o acesso ao crédito, fortalecer o setor produtivo e impulsionar a modernização da frota de transporte no país.
Fonte: cenariomt





