A circulação de pessoas e veículos na fronteira entre o Brasil e a Venezuela foi retomada neste domingo (4) após a interrupção registrada no dia anterior, motivada pela prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em Pacaraima, no norte de Roraima, o fluxo voltou a ocorrer sem incidentes, embora sob um esquema de fiscalização mais rigoroso conduzido pelas forças de segurança brasileiras.
Desde as primeiras horas do dia, militares do Exército, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Receita Federal e da Polícia Civil atuam de forma integrada no controle da travessia. A abordagem inclui verificação de documentos pessoais, inspeção de veículos e fiscalização de mercadorias tanto na entrada quanto na saída do país. Segundo as autoridades, os procedimentos seguem protocolos já previstos para situações de instabilidade regional.
Mesmo diante do cenário político delicado, a passagem de venezuelanos em direção ao Brasil não foi interrompida. Ao longo da BR-174, principal ligação entre os dois países, foi possível observar pessoas cruzando a fronteira a pé rumo a Boa Vista, enquanto outras seguiam no sentido contrário, em direção à cidade venezuelana de Santa Helena de Uairén.
Entre os que atravessaram a fronteira neste domingo estava Kleber Marino, de 23 anos, que vive há quase cinco anos em Roraima. Ele retornou à Venezuela acompanhado da filha de um ano após uma viagem previamente planejada. Segundo ele, a prisão de Maduro ocorreu de forma inesperada e gerou incerteza, mas não impediu a travessia. Para Kleber, o momento é visto com expectativa sobre os rumos do país vizinho.
O movimento também foi intenso entre turistas brasileiros que estavam na Venezuela e precisaram ajustar seus planos após o fechamento temporário da fronteira no sábado (3). Táxis e veículos de agências de turismo circularam cheios em Pacaraima ao longo do dia. Muitos relataram surpresa com a interdição momentânea, mas afirmaram que o retorno ocorreu sem dificuldades.
A enfermeira Jalycya Rodrigues, do Maranhão, contou que estava em viagem turística pela primeira vez no país vizinho e teve de adiar o retorno previsto para sábado. Apesar do receio inicial, ela afirmou que o deslocamento até a fronteira ocorreu de forma tranquila. Acompanhada da amiga Michielly Marcano, ela relatou ter presenciado manifestações de comemoração pela prisão de Maduro em cidades venezuelanas, com buzinaços e pessoas nas ruas.
Relatos semelhantes foram feitos pela influenciadora Thiane Rangel, que estava em Santa Helena de Uairén quando soube da detenção do presidente venezuelano. Por precaução, decidiu permanecer no país até este domingo. Segundo ela, hotéis e comércios funcionavam normalmente e não havia clima de tensão generalizada. A fiscalização do lado venezuelano, de acordo com seu relato, foi discreta.
No comércio local de Pacaraima, os reflexos da instabilidade foram imediatos. Jair da Silva, dono de uma churrascaria na cidade há uma década, afirmou que o movimento caiu de forma significativa após os acontecimentos do fim de semana. Com grande parte da clientela formada por venezuelanos, o receio de novos fechamentos impactou diretamente a economia local.
Do lado venezuelano, alguns moradores relatam que o clima é mais calmo do que o retratado nas redes sociais. Noel Martínez, de 23 anos, que vive no estado de Anzoátegui e trabalha com transporte de passageiros, afirmou que segue cruzando a fronteira para comprar mantimentos. Segundo ele, apesar de filas pontuais e medidas preventivas em supermercados, não há cenário de pânico. Para o jovem, boatos disseminados em plataformas como o TikTok têm ampliado o medo de forma desproporcional.
Com a reabertura da fronteira, autoridades brasileiras seguem monitorando a situação e mantêm o esquema de fiscalização reforçada, enquanto aguardam os desdobramentos políticos e diplomáticos da crise na Venezuela.
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Fonte: cenariomt






