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Fotos do Naufrágio de Shackleton feitas por veículo que explorou o Titanic

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2026

O explorador britânico Ernest Shackleton foi um dos rostos da Era Heroica da Exploração da Antártida, em que, entre as décadas de 1910 e 1920, diversos países realizaram expedições à região. Shackleton liderou três delas: uma em 1908 e outra em 1914, a bordo do Endurance (que acabou esmagado pelo gelo), e uma última iniciada em setembro de 1921, no navio Quest

Alguns meses após o início da viagem a bordo do Quest, Shackleton sofreu um ataque cardíaco e morreu aos 47 anos. Uma família norueguesa comprou a embarcação deixada pelo britânico. O Quest passou os 40 anos seguintes atuando como navio de caça em expedições do Ártico até que, em 1962, marcou os livros de história mais uma vez: a embarcação foi esmagada e perfurada por blocos de gelo, no mar canadense.

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O paradeiro da embarcação permaneceu um mistério até 2024, quando ela foi localizada no Mar do Labrador, na costa do Canadá, a mais de 300 metros de profundidade. A descoberta exigiu uma longa busca conduzida pela Royal Canadian Geographical Society (RCGS), que registrou o naufrágio com um sonar de varredura lateral, equipamento usado para inspeções subaquáticas.

Os registros, no entanto, tinham resolução limitada e mostravam poucos detalhes. Acontece que quanto mais o tempo passa, mais o navio se deteriora. Registrar imagens de qualidade é a principal forma de preservar sua memória, ainda que digitalmente. 

Por isso, em 2026, uma equipe internacional de cientistas, liderada pela RCGS, retornou ao local para realizar uma nova expedição. O objetivo, dessa vez, era obter informações mais precisas sobre o naufrágio e produzir registros de altíssima resolução, dignos da história do Quest.

Peixes laranja-avermelhados nadam ao redor de uma estrutura subaquática coberta por corais brancos e rosados, em águas escuras
(Canadian Geographic and Voyis/Reprodução)

Foram necessários dois navios para a expedição: o Atlantis, que tem uma estrutura pensada para pesquisas científicas, e uma embarcação da Marinha dos Estados Unidos. Ao longo de vários dias, a equipe registrou fotos e vídeos do Quest em resolução 5.2K.

Para capturar os registros, utilizaram um ROV (veículo operado remotamente), equipado com câmeras e sensores. Mas o grande destaque da missão foi o uso do Alvin, um submersível de águas profundas conhecido por ter levado as primeiras pessoas ao naufrágio do Titanic, 40 anos atrás. 

Com o Alvin, os pesquisadores puderam descer aos mais de 300 metros de profundidade e explorar o Quest com os próprios olhos. Eles são as primeiras pessoas a ver a embarcação de perto em décadas. 

Eles encontraram a embarcação em um estado de conservação impressionante. A proa, o convés e até algumas vigas permanecem preservados. Ao redor, havia corais e diversas espécies marinhas, como bacalhau e peixe-vermelho, que misturam o naufrágio com o ambiente natural. Outras partes do navio, entretanto, estavam bastante deterioradas e cobertas por redes de pesca.

Um bacalhau prateado nada sobre um peixe-lobo malhado e um naufrágio coberto de algas e anêmonas-do-mar em tons de laranja e rosa, no fundo escuro do oceano
(Canadian Geographic and Voyis/Reprodução)

“As redes são uma história triste, porque limitam nossa capacidade de estudar o naufrágio. Acho que precisamos assumir a responsabilidade pelo que estamos fazendo com os oceanos; esse é um problema enorme”, diz o pesquisador John Geiger, o líder da expedição e CEO da RCGS, em comunicado.

Não para por aí. As fotos serão aliadas a tecnologias de ponta para construir um modelo 3D do Quest. Será uma espécie de “gêmeo digital” do navio: uma réplica virtual em alta resolução, rica em detalhes. A técnica consiste em combinar milhares de fotografias para reconstruir, com precisão, as três dimensões da embarcação. Isso ainda está em desenvolvimento, mas a expectativa é que, futuramente, possa ser usado tanto em pesquisas quanto em visitas virtuais pelo público.

Dois homens em uma sala escura com monitores. Um homem branco barbudo, de perfil, aponta para uma tela com gráficos circulares. Ao lado, um homem asiático observa atentamente.
(Canadian Geographic and Voyis/Reprodução)

“Esse tipo de modelagem 3D só existe na ciência oceânica há poucos anos e está nos dando maneiras completamente novas de explorar esses naufrágios históricos e torná-los reais para o público”, afirma Dwight Coleman, codiretor científico da expedição, no mesmo comunicado.

Agora, a equipe segue para a Groenlândia, onde pretende registrar outro naufrágio histórico: o Terra Nova, navio utilizado por Robert Falcon Scott na expedição que chegou à Antártida em 1912. Na viagem de volta, porém, Scott e seus quatro companheiros morreram. Anos depois, o navio passou a ser usado na pesca e acabou afundando na costa do Canadá, em 1943. Seu naufrágio só foi localizado em 2012, pelo Schmidt Ocean Institute.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo