Saúde

Fiocruz promove imersão para incentivar participação de meninas na ciência: Saiba mais!

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2

Aos 17 anos, a estudante Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira está prestes a concluir o ensino médio técnico em Química no Instituto Federal do Rio de Janeiro, campus Duque de Caxias. O interesse pela área começou ainda na infância, quando costumava fazer experiências em casa. Hoje, ela projeta seguir carreira científica e vê esse caminho cada vez mais possível.

A trajetória de Raíssa reflete o propósito do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro. Criada pela Organização das Nações Unidas em 2015, a data chama atenção para a desigualdade de gênero nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, historicamente dominadas por homens.

Imersão na Fiocruz

Desde 2020, a Fiocruz realiza uma imersão de verão voltada a estudantes do ensino médio. Neste ano, 150 alunas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro foram selecionadas para participar de três dias de atividades em 13 unidades da instituição.

Raíssa participou pela segunda vez do programa e levou a colega Beatriz Antônio da Silva, também de 17 anos e estudante do mesmo instituto federal. Beatriz conta que passou a considerar a carreira científica após incentivo de uma professora de física que desenvolve um projeto para ampliar a presença de meninas negras na área. Segundo ela, conhecer relatos de mulheres que enfrentaram preconceito na universidade foi decisivo para enxergar novas possibilidades.

De acordo com Beatriz Duqueviz, coordenadora-adjunta do Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz, a iniciativa atua em três frentes: valorização de cientistas mulheres, produção de pesquisas sobre gênero e estímulo ao interesse científico entre meninas. Ela destaca que, muitas vezes, as jovens são desestimuladas desde a infância e, ao crescer, sobretudo as mais pobres, precisam conciliar os estudos com responsabilidades domésticas.

Ciência além dos estereótipos

A programação da imersão inclui visitas a laboratórios, contato com pesquisadoras e apresentação de diferentes áreas de atuação. As estudantes conhecem desde espaços tradicionais, com microscópios e experimentos, até setores como o Laboratório de Conservação Preventiva, responsável pela preservação do patrimônio histórico da instituição, e a revista Cadernos de Saúde Pública.

Para a coeditora-chefe da publicação, Luciana Dias de Lima, é fundamental mostrar que o trabalho científico é coletivo e multidisciplinar. Atualmente, três pesquisadoras ocupam a chefia editorial da revista. Ela observa que alcançar posições de liderança ainda representa desafio para muitas mulheres, que frequentemente acumulam responsabilidades profissionais e familiares, além de enfrentarem estereótipos sobre seus papéis na sociedade.

A estudante Duane de Souza, moradora de Bangu e aluna do campus Maracanã do Instituto Federal do Rio de Janeiro, afirma que a experiência ajudou a esclarecer dúvidas sobre o futuro. Interessada em biologia, ela diz que a imersão ampliou sua visão sobre as possibilidades dentro da área e desmistificou a ideia de que pesquisa é inacessível.

Sulamita do Nascimento Morais, de 17 anos, estudante de escola estadual no Méier e bolsista de iniciação científica, também participou da atividade. Ela pretende cursar ciência da computação e afirma que projetos de incentivo foram determinantes para romper o estigma de que tecnologia é um campo predominantemente masculino.

Ao aproximar adolescentes do cotidiano da pesquisa, a Fiocruz busca ampliar horizontes e contribuir para reduzir a desigualdade de gênero na ciência, mostrando que curiosidade e dedicação são elementos centrais para quem deseja seguir esse caminho.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.