A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Conselho da UE, nesta sexta-feira 9 de janeiro de 2026, foi recebida pelo governo brasileiro como um marco geopolítico e econômico de grandes proporções. Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), a decisão representa um passo decisivo para a consolidação do que pode se tornar o maior bloco econômico do mundo, reunindo países sul-americanos e europeus em uma mesma estrutura comercial.
Em manifestação pública feita em suas redes sociais, Fávaro classificou o aval europeu como um avanço estratégico após 26 anos de negociações e afirmou que o Brasil já tem motivos para celebrar um “momento histórico” nos próximos dias. Segundo o ministro, a condução diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi determinante para destravar resistências e recolocar o acordo no centro da agenda internacional.
O entendimento entre os blocos ainda não entrou em vigor. Após a aprovação pelo Conselho da União Europeia, o texto precisa passar por assinatura formal e pela ratificação do Congresso Nacional brasileiro e do Parlamento Europeu, etapas obrigatórias para que as regras comerciais passem a valer.
Impactos diretos para o agronegócio e o comércio exterior
Na avaliação de Fávaro, um dos setores mais beneficiados com o acordo será o agronegócio, responsável por parcela significativa das exportações brasileiras. O ministro destacou que o tratado amplia o acesso a mercados e cria novas oportunidades de negócios para os países do Mercosul, especialmente em produtos agropecuários.
Ele também ressaltou que o acordo prevê mecanismos de salvaguarda, que permitem ajustes e medidas recíprocas caso haja desequilíbrios comerciais. Esses dispositivos, segundo o ministro, garantem espaço para negociação contínua e proteção de setores sensíveis, ao mesmo tempo em que estimulam a ampliação do fluxo comercial.
No atual contexto das relações econômicas internacionais, a abertura de um mercado integrado com a União Europeia é vista como estratégica para produtores brasileiros, inclusive no cenário agrícola de Mato Grosso, estado que tem papel central nas exportações nacionais e pode se beneficiar da diversificação de destinos e da redução de barreiras comerciais, como já se observa em debates recentes sobre o comércio internacional no país (https://cenariomt.com.br/mundo/).
Resistências internas na Europa e próximos passos
Apesar da aprovação, o acordo não avançou sem resistência. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria se posicionaram contra o texto, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. Ainda assim, o Conselho da UE considerou superadas as objeções dentro do prazo estabelecido, encerrado às 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília).
Com essa etapa concluída, o acordo segue agora para análise do Parlamento Europeu. Caso os parlamentares deem sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima segunda-feira, 12 de janeiro, para formalizar a assinatura do tratado com os países do Mercosul.
O Paraguai assumiu recentemente a presidência rotativa do Mercosul, função que esteve sob responsabilidade do Brasil até 20 de dezembro de 2025.
Dimensão econômica do acordo Mercosul–UE
A União Europeia ocupa atualmente a posição de segundo maior parceiro comercial do Mercosul em bens. Com a entrada em vigor do acordo, seria criado um mercado integrado que reúne mais de 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado de US$ 22 trilhões, números que colocariam o bloco entre os mais relevantes do mundo em termos econômicos.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a União Europeia, crescimento de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões, com alta de 6,4% no mesmo período. A corrente comercial, que soma exportações e importações, ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1997, registrando avanço de 4,8% em um ano.
Expectativa e cautela
Embora o governo celebre o avanço institucional, a efetivação do acordo ainda depende de debates legislativos e ajustes políticos, tanto no Brasil quanto na Europa. Até lá, o tratado segue como uma promessa de integração econômica de grande escala, com potencial para redefinir o papel do Mercosul no comércio global e ampliar o peso do Brasil nas negociações internacionais.
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Fonte: cenariomt






