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Exposição Sensorial em Cuiabá: Memória, Identidade e Calor em Destaque

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2026

As cores de Cuiabá, suas memórias e sua identidade ganharam novas camadas na exposição “Cuiabá em Cores – Onde o Calor Vira Arte”, aberta no Museu do Morro da Caixa D’Água Velha. Em cartaz dentro da programação dos 307 anos da capital, a mostra tem provocado no público uma experiência que vai além da contemplação estética: convida à lembrança, ao afeto e à redescoberta da cidade.

Logo nas primeiras horas de visitação, o que se viu foi um público tocado pelo impacto visual das obras e pela forma como os artistas conseguiram traduzir, em telas, a alma cuiabana. A agente de conservação Joanilse Francisco de Carvalho resumiu a sensação ao dizer que as cores “transmitem vida”, em uma percepção que atravessa tanto a Cuiabá de antigamente quanto a cidade que segue em transformação. Ao lado dela, a filha, Jamile, também se impressionou com a intensidade visual e reforçou a ideia de uma capital naturalmente marcada pela cor e pelo calor.

Esse encontro entre arte e memória apareceu de maneira recorrente entre os visitantes. A empresária Tainá Letícia Pereira Tognoli destacou a sensibilidade dos artistas ao retratar a Cuiabá antiga, numa exposição que, segundo ela, desperta lembranças e reforça a importância de valorizar a história local. Já a advogada Stephanie Haschig Gaioso Rocha Ribeiro, visitante de fora do estado, percebeu nas telas uma riqueza cultural atravessada pela natureza e pelas tradições, embora tenha apontado que a mostra poderia trazer mais informações explicativas para ampliar a compreensão de quem não conhece profundamente a história da cidade.

A exposição também encontrou eco entre os mais jovens. O estudante Everton Pereira Tognoli, de 8 anos, visitou o museu em busca de inspiração para um trabalho escolar e saiu dali com vontade de transformar a experiência em maquete. O encanto infantil, nesse caso, ajuda a medir a força de uma mostra que consegue dialogar com públicos de diferentes idades a partir de referências comuns: a paisagem, a arquitetura, os costumes e a atmosfera cuiabana.

Curadora da mostra, Ellém Pellicciari define o projeto como uma “leitura poética” de Cuiabá, pensada para “despertar reflexões e resgatar a memória” da cidade. A proposta é justamente permitir que cada visitante construa sua própria interpretação sobre esse território atravessado não apenas pelo calor climático, mas também pelo calor humano.

Entre os artistas participantes, a diversidade de olhares aparece como uma das marcas mais fortes da exposição. Stephanie Reiter explica que buscou representar “os animais e pontos turísticos” com uma pintura mais livre, apostando em cores intensas e em uma estética distante do realismo tradicional. Para ela, o público vai encontrar uma produção marcada por “uma união de talentos que mostram Cuiabá de forma vibrante”.

Já Rita Ximenes levou para sua obra uma dimensão mais simbólica, inspirada nos rios e peixes da região. Ao afirmar que “o Pantanal começa dentro da nossa casa”, a artista amplia o alcance da mostra e insere nela também uma reflexão ambiental. Sua leitura reforça a ideia de que a arte pode funcionar como ponte entre pertencimento, memória e consciência sobre o território.

No trabalho de Dilson de Oliveira, a identidade cuiabana aparece por meio de elementos como religiosidade, cultura e tradição. Ao falar sobre a exposição, ele a define como uma oportunidade para conhecer mais sobre a cidade, seus casarões, becos e manifestações culturais, especialmente diante das novas gerações. Antônio Vieira segue a mesma trilha ao afirmar que suas obras tentam retratar “o que a população vivencia no dia a dia”, com atenção especial às cores e ao calor do entardecer cuiabano.

O artista João Karamuri, morador da capital há mais de duas décadas, também reforça esse elo afetivo com a cidade. Para ele, participar da mostra é uma forma de retribuir o acolhimento recebido de Cuiabá. Em suas obras, aparecem a arquitetura, a fauna, a flora e elementos culturais que ajudam a compor esse retrato múltiplo da capital, sempre atravessado pela ideia de que o verdadeiro calor da região está no acolhimento do seu povo.

Mais do que reunir obras, a exposição também reforça o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de circulação cultural. A proposta do local, segundo a coordenação, é funcionar como um “museu vivo”, capaz de ir além do acervo permanente e ampliar o acesso da população à arte por meio de exposições temporárias. Em um momento simbólico como o aniversário de Cuiabá, essa ocupação ganha ainda mais sentido.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fernando Medeiros, iniciativas como a mostra ajudam a fortalecer a identidade local e o turismo cultural. Na prática, “Cuiabá em Cores” se consolida como uma experiência sensorial e afetiva, capaz de reunir diferentes leituras sobre a cidade e devolver ao público fragmentos de sua história, de sua cultura e de sua própria memória.

Aberta até o dia 25 de maio, a exposição se firma como um dos destaques das comemorações pelos 307 anos da capital. Mais do que celebrar Cuiabá, a mostra propõe um gesto de reencontro: olhar para a cidade outra vez, com mais atenção, mais afeto e novos olhos.

Fonte: leiagora

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