O primeiro andar do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, está de cara nova. Em 15 de agosto, foi inaugurado o Nubank Arte Lab, um espaço expositivo de 2700 m² com cinco salas multiuso e a operação gastronômica Nuv Gastro Bar. O projeto é do escritório Jacobsen Arquitetura. E, para marcar a estreia desse novo complexo cultural, está em cartaz a exposição O Brasil de Tarsila, com mais de 70 obras em espaços interativos.
A realização é uma parceria da Tarsila do Amaral S.A., empresa que protege o legado da artista, e a agência de eventos LIVEIDEA. A curadoria é de Juliana Miraldi e Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila. Não há obras originais, apenas réplicas e versões digitais das pinturas.
A mostra ocupa três das cinco salas modulares do complexo. Os espaços foram adaptados em 14 ambientes interativos, cada um dedicado a um trecho da história e da obra da modernista. Os locais têm controle de temperatura e iluminação, além de aparatos que liberam odores.
Oficialmente O Brasil de Tarsila fica em cartaz até 31 de outubro, mas tudo indica que será prorrogado até o fim do ano. Depois, segue para o Rio de Janeiro, sem local definido. Em setembro, as salas restantes devem ser ocupadas pela mostra Fronteiras do Imaginário, do artista digital francês Maotik.
Veja, a seguir, o meu relato em primeira pessoa de como foi a visita à exposição.
No mundo de Tarsila
Tarsila do Amaral sempre me encantou. Desde as primeiras aulas de arte na escola, ela, em especial, era a artista com quem eu mais me conectava. Primeiro, porque temos o mesmo sobrenome – que honra seria se eu fosse um sobrinho-bisneto dela. Segundo, as cores e formas em suas pinturas, simples mas dignas de contemplação, me encantavam.
As primeiras duas salas do espaço expositivo no Conjunto Nacional são galerias. Há réplicas das obras da artista em quadros, molduras para tirar fotos (sim, instagramáveis) e textos que contam a história de Tarsila. Por mais comum que esse começo pareça, entender a trajetória da artista é fundamental para o que surge na sequência, que mistura biografia e obra. Daqui em diante, a mostra é de “fluxo único”, ou seja, só é possível ir para o próximo ambiente, sem retornar.
O primeiro “uau” veio no ambiente seguinte: a sala de espelhos. Equipada com um painel de LED de 84 m², as paredes refletem obras de sua fase Pau Brasil (1924 – 1928). As figuras de Religião Brasileira (1927) se misturam com as flores de Manacá (1927), formando combinações inéditas repetidas ao infinito. Quem entrava demorava a sair. Cada ângulo revelava uma forma diferente de observar as obras.
Na sala seguinte, cheguei à Floresta Tarsiliana, cuja ambientação mescla elementos da fase Antropofágica (1928 – 1930). As árvores de Floresta (1922) são um só ecossistema com a vegetação de Cartão-Postal (1929) e Idílio (1929). O sistema de som emite o coaxar de sapos e o canto de aves tropicais, enquanto borrifadores liberam cheiro de jasmim. Por lá, há ainda uma piscina de bolinhas verdes – sem restrição de idade, oba – que não pude deixar de mergulhar. As crianças, com presença em peso na exposição, também adoraram.
Ao atravessar a cortina entre salas, surge um vagão de trem, onde cada janela é um destino que marcou a vida de Tarsila. Artefatos distribuídos em mesas se unem a um sistema de som, de onde uma narração conta sobre as viagens da artista para lugares como Minas Gerais, Paris e a então União Soviética.
Em um espaço com assentos, projetores mostram na sequência uma animação das figuras icônicas ilustradas pela modernista. O Sapo (1928) pula por uma paisagem tropical até encontrar a Cuca (1924) e Abaporu (1928). O gigante de pés enormes e cabeça nanica segue rumo a uma floresta, onde se acomoda ao lado da figura de seio à mostra de Antropofagia (1929).
As cores vibrantes dão espaço aos tons cinzentos da fase Social, na sala dedicada a Operários (1933). Após retornar de sua viagem pela União Soviética, em 1931, suas obras passaram a retratar a realidade popular no Brasil. Nessa sala, precisei girar uma manivela para que os trabalhadores surgissem em uma tela curva. Também “bati ponto” numa máquina antiga, que tirou uma foto minha e inseriu-a digitalmente na obra como mais um entre os operários.
Um corredor com a personagem de Composição (Figura Só) (1930), tomada por uma ventania emitida por ventiladores, leva ao salão com Abaporu (1928). Aqui é o momento em que aproveitei para tirar muitas fotos, fazendo graça com o gigante.
A agitação dos flashes foi sucedida pela tranquilidade da noite. Estava novamente imerso, dessa vez na obra A Lua (1928). Bancos em formato de pedra permitem apreciar o astro projetado na parede. Fiquei ali por um bom tempo.
O espaço seguinte lembra um playground. Há quebra-cabeças gigantes, um escorregador e gangorra. A monitora da sala confirmou: as crianças amam. Difícil é para os pais que, na hora de seguir em frente, têm de lidar com insistentes “só mais um pouquinho”.
A Terra (1943) toma o espaço seguinte por completo. Ventiladores ajudam na imersão com ventos fortes na direção dos visitantes. Esse é outro ambiente para relaxar.
O gran finale é um salão que mistura todas as fases de Tarsila em uma animação projetada nas paredes. A Fazenda com Sete Porquinhos (1943) surge ao fundo e o Sol Poente (1929) finaliza o dia. Que delícia de passeio.
Serviço
Onde? Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2.073, 1º andar, Consolação.
Quando? Em cartaz até 31 de outubro. Aberto de quarta a segunda, das 10h às 22h.
Quanto? Ingressos a partir de R$ 47,50 pela plataforma Fever.
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Fonte: viagemeturismo





