O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre nesta segunda-feira (3) a exposição “Dois Mundos, O Legado de Masanobu Kazurayama”, homenagem póstuma ao artista plástico que ajudou a construir parte da história das artes visuais em Mato Grosso. A mostra fica aberta para visitação das 8h às 17h, com entrada gratuita, até o dia 30 de agosto.
O artista plástico japonês morreu no dia 17 de fevereiro deste ano, em Cuiabá, aos 86 anos. A exposição reúne obras de ex-alunos, amigos e artistas influenciados pelo trabalho de Masanobu, reafirmando a permanência da contribuição para a formação de novas gerações e para a cultura do Estado.
Ao longo da carreira, o artista realizou diversas mostras no local, consolidando uma ligação com o espaço, que hoje integra a programação cultural da Prefeitura de Cuiabá e segue valorizando a arte, a memória, o turismo e o patrimônio histórico da capital.
A homenagem representa um reencontro simbólico entre o mestre e um dos cenários mais importantes da caminhada dele.
Ex-aluno e amigo de Masanobu, o artista plástico Evans Camargo lembra que o mestre ensinava muito mais do que técnicas de pintura. Segundo ele, o mestre incentivava cada aluno a desenvolver a própria identidade artística e enxergava a arte como um processo de descoberta.
Para Evans, realizar a exposição no Museu do Morro tem um significado especial, pois o espaço também faz parte da história construída pelo artista em Cuiabá e reúne diferentes gerações unidas pelo legado dele.
Sobrevivente da bomba atômica
O filho do homenageado, Matsuo Kazurayama, afirma que a maior herança deixada pelo pai não está apenas nas telas, mas nas pessoas que formou.
Ele conta que Masanobu dedicou a vida ao ensino e à preservação da técnica que desenvolveu, sem buscar retorno financeiro, por acreditar que seu verdadeiro patrimônio seria transmiti-la aos alunos.
Sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki, Masanobu chegou ao Brasil em 1961 e construiu carreira no cenário artístico cuiabano.
Mestre do curso de pintura do Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), teve a trajetória marcada pela atuação nas artes e na docência, formando diversas turmas e atuou na formação de artistas por meio do ensino da pintura oriental.
Em Cuiabá, manteve atividades frequentes no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, onde realizou exposições com paisagens do Japão, do Canadá e do Pantanal mato-grossense, além de apresentar trabalhos de alunos. No ano passado, voltou a expor no local, em mostra aberta ao público em agosto.
Ao longo da carreira, também expôs na UFMT, em 1988, e no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, em 2008 e 2014. Em 2002, foi premiado em um concurso de pintura no Japão com o tema Monte Fuji, com obra selecionada entre mais de 300 participantes.
Para a família, a exposição mantém viva essa memória e permite que novas gerações conheçam não apenas suas obras, mas também os valores que orientaram sua atuação como artista e professor.
O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, localizado na Rua Comandante Costa, em frente à Contaud. A visitação ocorrerá de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com entrada gratuita.
Fonte: primeirapagina





