O primeiro semestre da safra 2025/2026 trouxe sinais de desaceleração para um dos segmentos mais tradicionais do agronegócio brasileiro. Entre julho e dezembro de 2025, as exportações nacionais de suco de laranja registraram retração tanto em volume quanto em receita, refletindo um cenário internacional mais cauteloso e ajustes de preços após um ciclo anterior marcado por valores elevados.
De acordo com dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pela CitrusBR, o Brasil embarcou menos produto ao exterior nesse período, com queda de 8,1% no volume exportado. O impacto financeiro foi ainda mais significativo: a receita total somou US$ 1,44 bilhão, resultado 23,2% inferior ao registrado no mesmo intervalo da safra passada.
Esse desempenho acende um sinal de atenção para produtores, indústrias e exportadores, sobretudo em estados fortemente ligados à cadeia agroindustrial, como São Paulo e também regiões que acompanham de perto os movimentos do mercado agrícola, no contexto do agronegócio mato-grossense, onde oscilações globais influenciam decisões de investimento, logística e planejamento de safra.
Analistas do setor apontam que a retração está diretamente relacionada à menor demanda em mercados tradicionais e ao efeito dos preços elevados praticados na safra anterior. Com valores mais altos nas prateleiras internacionais, parte dos consumidores reduziu o consumo, especialmente em regiões onde o suco de laranja concorre com outras bebidas.
Estados Unidos ampliam compras e sustentam embarques
Apesar do recuo global, o comportamento dos Estados Unidos destoou do restante do mercado. O país ampliou suas importações e passou a responder por 55,2% de todo o suco de laranja exportado pelo Brasil no período analisado. Entre julho e dezembro de 2025, os embarques para o mercado norte-americano alcançaram 217,9 mil toneladas, um crescimento de 34,9% em volume.
Em termos de faturamento, as vendas para os EUA somaram US$ 746,2 milhões, avanço de 10,4% na comparação anual. Esse desempenho consolidou o país como principal destino do suco brasileiro e ajudou a atenuar perdas mais severas no resultado geral da safra.
Para o setor, a demanda norte-americana tem funcionado como um importante amortecedor em meio à retração de outros mercados. Ainda assim, especialistas alertam que a concentração excessiva em um único comprador pode aumentar a exposição a riscos comerciais e regulatórios.
Europa e Ásia reduzem consumo
Na outra ponta, a União Europeia apresentou um dos desempenhos mais fracos do semestre. O volume exportado para o bloco caiu 31,9%, totalizando 155,2 mil toneladas. A receita acompanhou o movimento e recuou 41,9%, fechando em US$ 601,5 milhões.
A retração europeia tem peso relevante para o setor, já que historicamente o bloco figura entre os principais destinos do suco brasileiro. Segundo a CitrusBR, o consumidor europeu foi um dos mais impactados pelos preços elevados da safra anterior, o que reduziu a demanda no varejo.
Outros mercados também apresentaram quedas expressivas. As exportações para a China diminuíram 45,8% em volume, somando 10,4 mil toneladas, enquanto o faturamento recuou 17,7%, para US$ 43 milhões. Já o Japão registrou redução de 54,4% nos embarques e queda de 59,5% na receita, com US$ 25,5 milhões movimentados.
Impactos para produtores e indústria
A combinação de menor volume e redução de receita pressiona margens e exige ajustes ao longo da cadeia produtiva. Para produtores, o cenário reforça a importância de planejamento financeiro, diversificação de mercados e atenção aos custos de produção.
Na avaliação do diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o setor atravessa um período de acomodação. Segundo ele, a retomada do consumo depende de preços mais acessíveis ao consumidor final, especialmente na Europa. A expectativa é que, com a normalização da oferta e ajustes nos valores praticados, o mercado volte gradualmente a ganhar fôlego.
Enquanto isso, o desempenho do suco de laranja serve de termômetro para outras cadeias do setor, no cenário mais amplo do agronegócio brasileiro, que também enfrentam oscilações de demanda, custos elevados e maior sensibilidade do consumidor aos preços.
Perspectivas para o restante da safra
Para o segundo semestre da safra 2025/2026, a expectativa do mercado é de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A indústria aposta em uma recomposição gradual do consumo, especialmente se os preços internacionais se tornarem mais competitivos.
O desempenho dos Estados Unidos seguirá sendo um fator-chave para os resultados finais, enquanto a recuperação da Europa dependerá da resposta do consumidor às mudanças no varejo. Para produtores e exportadores, o momento exige cautela, leitura atenta do mercado e estratégias que reduzam a exposição a choques externos.
Mesmo com o início de safra mais fraco, o Brasil segue como um dos principais players globais no mercado de suco de laranja, e a capacidade de adaptação do setor será determinante para atravessar este ciclo com menor impacto econômico.
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Fonte: cenariomt






