Cenário Agro

Exportações da piscicultura caem, mas indicam recuperação após ajuste de tarifas em 2026

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2026

O comércio exterior da piscicultura brasileira iniciou 2026 em retração, com queda expressiva nas exportações tanto em valor quanto em volume. Dados do informativo trimestral elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura apontam recuo de 39% na receita, que passou de US$ 18,5 milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 11,2 milhões no mesmo período deste ano.

Em volume, a retração foi ainda mais acentuada: de 3.900 toneladas exportadas entre janeiro e março do ano passado para 2.300 toneladas em 2026, uma redução de 41%. O desempenho negativo está diretamente ligado a fatores externos, especialmente às condições comerciais impostas por mercados importadores.

Retomada ganha força após redução de tarifa nos Estados Unidos

Apesar do cenário inicial adverso, os dados mais recentes indicam uma recuperação gradual ao longo do trimestre. Em janeiro, o Brasil exportou 592 toneladas de pescado, número que subiu para 711 em fevereiro e alcançou 1.006 toneladas em março. Em valores, os embarques passaram de US$ 3 milhões para US$ 5,1 milhões no mesmo intervalo.

A melhora está relacionada à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, no fim de fevereiro, reduziu a tarifa de exportação aplicada ao pescado brasileiro de 50% para 10%. A medida permitiu a retomada das vendas, especialmente de filés frescos de tilápia.

Segundo o pesquisador Manoel Pedroza, a mudança foi determinante para o setor. Ele destaca que a retomada já é perceptível e deve continuar ao longo do ano, desde que as condições tarifárias sejam mantidas. No entanto, há incertezas, já que a decisão pode ser revertida, o que voltaria a impactar negativamente as exportações brasileiras.

Importações de tilápia do Vietnã acendem alerta no setor

Outro fator relevante no período foi o aumento das importações de tilápia do Vietnã. Inicialmente concentradas em estados como Santa Catarina e São Paulo, as compras se expandiram ao longo do trimestre para outras unidades da federação, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão.

O avanço do produto importado levanta preocupações tanto sanitárias quanto econômicas. Há risco de introdução de doenças ainda inexistentes no país, além de pressão sobre os preços internos. Isso ocorre porque o pescado vietnamita chega ao Brasil com valores inferiores ao custo de produção nacional, favorecido por subsídios governamentais e menores exigências regulatórias no país de origem.

Diversificação de mercados se consolida como estratégia

Diante das oscilações recentes, o setor tem buscado reduzir a dependência de mercados específicos, especialmente dos Estados Unidos. Países como México e Canadá aparecem como alternativas em expansão para as exportações brasileiras de tilápia.

A diversificação é apontada como uma tendência para os próximos anos, embora o sucesso dessa estratégia dependa da competitividade do produto brasileiro, principalmente em segmentos mais disputados, como o de tilápia congelada.

O acompanhamento do comércio exterior da piscicultura integra o projeto BRS Aqua, coordenado pela Embrapa com apoio de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, voltado ao fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no país.

Fonte: cenariomt

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