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EUA afirmam possibilidade de ação solo contra cartéis na América Latina

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O governo dos EUA afirmou que pode agir sozinho em países da América Latina para combater cartéis de drogas, caso considere necessário. A declaração ocorreu durante uma conferência internacional realizada na cidade de Doral, na Flórida, que reuniu representantes de 16 nações latino-americanas.

O encontro foi liderado pelo secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis. Na ocasião, ele declarou que Washington está preparado para enfrentar organizações criminosas de forma independente, embora a prioridade seja atuar em cooperação com os países da região.

Segundo Hegseth, os EUA preferem conduzir operações conjuntas com parceiros e aliados do continente, mas não descartam ações unilaterais caso identifiquem ameaças à segurança regional.

Doutrina e estratégia regional

Durante o evento, o secretário destacou que a iniciativa integra a política estratégica do governo norte-americano voltada para o hemisfério. A diretriz reafirma princípios ligados à Doutrina Monroe, criada no século XIX, que defende a predominância de Washington nas Américas.

De acordo com Hegseth, a intenção é garantir acesso a áreas estratégicas e fortalecer o comércio regional para estimular a industrialização das nações do continente. Ele também afirmou que o objetivo é impedir a influência de potências externas na região.

A conferência ocorreu na sede do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, órgão responsável pelo monitoramento militar da América Latina e do Caribe.

Críticas e preocupações

Especialistas em geopolítica consideraram a declaração preocupante. O professor Ronaldo Carmona avaliou que a possibilidade de atuação unilateral representa uma ameaça grave à soberania dos países latino-americanos.

Segundo ele, a retórica pode servir como justificativa para ampliar intervenções externas na região sob o argumento de combate ao narcotráfico. O pesquisador também destacou que a responsabilidade pelo controle do consumo e da entrada de drogas deveria ser tratada internamente pelos próprios Estados Unidos.

Para Carmona, a tentativa de militarizar o combate às drogas poderia restringir a liberdade diplomática dos países latino-americanos e pressionar governos a alinhar suas estratégias com Washington.

Posição de Brasil e México

Governos importantes da região reagiram com cautela. Autoridades do Brasil e do México defendem que qualquer ação contra o narcotráfico precisa respeitar a soberania nacional.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, declarou que a cooperação com os EUA deve ocorrer com coordenação entre os países e sem relação de subordinação. Já o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu o tema do combate ao narcotráfico na agenda de diálogo com Washington.

Analistas apontam que o Brasil tradicionalmente diferencia ações policiais, voltadas ao combate ao crime organizado, das operações de defesa militar, relacionadas à proteção do território nacional.

Reações na América Latina

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também reagiu às declarações. Ele afirmou que os EUA não precisam agir sozinhos para enfrentar os cartéis e defendeu cooperação internacional para combater o tráfico de drogas.

Segundo Petro, países latino-americanos têm interesse direto em enfrentar as organizações criminosas, já que a violência associada ao narcotráfico afetou milhões de pessoas na região e comprometeu instituições democráticas.

Acordos e aproximações militares

Alguns governos latino-americanos vêm intensificando parcerias com Washington. O Senado do Paraguai aprovou recentemente um acordo militar que permite a presença de tropas norte-americanas no país com imunidade penal durante operações.

No Equador, forças militares locais iniciaram operações conjuntas com os EUA contra organizações ligadas ao narcotráfico. No entanto, uma proposta para permitir bases militares estrangeiras no país foi rejeitada em referendo popular realizado em 2025.

O debate sobre cooperação militar e soberania continua no centro das discussões regionais, enquanto governos latino-americanos avaliam os limites da parceria com Washington no enfrentamento ao crime organizado.

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Fonte: cenariomt

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