Mato Grosso Saúde

Estudo: Uso de Luzes Forenses na Identificação de Hematomas

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word3

Um estudo científico sobre luzes forenses, publicado na revista Perspectivas em Medicina Legal e Perícias Médicas, avaliou a eficácia dessas tecnologias na identificação de hematomas em pessoas negras, conforme divulgado pela Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica. A pesquisa contou com a colaboração do médico-legista Willer da Cruz Zaghetto, da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec), e analisou limitações do exame clínico sob luz comum.

Contexto da pesquisa

Conforme apurado pela reportagem, o estudo parte de uma realidade recorrente no sistema médico-legal brasileiro: a dificuldade de visualização de hematomas — lesões arroxeadas causadas por extravasamento de sangue após impacto — em pessoas negras. Segundo dados oficiais do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mulheres negras estão entre as principais vítimas de violência doméstica no país, o que torna a correta identificação das lesões um fator decisivo para investigações e processos criminais.

De acordo com o artigo, a coloração da pele pode reduzir o contraste necessário para a identificação visual das lesões sob luz branca comum, levando a laudos falsos negativos. A reportagem confirmou que esse cenário impacta diretamente a produção de provas periciais e contribui para a subnotificação da violência.

Uso de luzes forenses na prática médico-legal

O trabalho analisa o uso de luzes forenses, como fontes de luz ultravioleta, azul ou branca de alta intensidade — conhecidas como Fontes de Luz Alternativa (ALS). Essas tecnologias já são utilizadas por peritos criminais para revelar vestígios biológicos invisíveis a olho nu, como sangue, sêmen ou saliva, conforme protocolos internacionais.

Segundo Willer Zaghetto, citado em nota oficial da Politec, a aplicação das luzes forenses como método de triagem pericial pode ampliar o contraste e a extensão visual das lesões, reduzindo vieses raciais no diagnóstico. “Se a lesão não é identificada no atendimento inicial, registra-se falsamente a ausência de lesões. Esse erro contamina toda a investigação”, afirmou o médico-legista.

Proposta de padronização nacional

O estudo propõe a criação de protocolos nacionais que validem e padronizem o uso de luzes forenses na triagem de lesões em exames médico-legais no Brasil. A pesquisa destaca que a iniciativa está alinhada ao princípio constitucional da equidade e aos padrões internacionais de qualidade pericial.

  • Redução de laudos falsos negativos;
  • Maior precisão na caracterização das lesões;
  • Fortalecimento da prova pericial em crimes de violência.

O artigo, intitulado “Luzes Alternativas na Prática Médico-Legal: Fundamentos para a Padronização da Triagem e Promoção da Equidade Racial”, está disponível em documento oficial da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica.

Reportagem baseada em publicação científica da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica e informações institucionais da Politec.

Para acompanhar mais conteúdos aprofundados sobre ciência, justiça e direitos humanos, siga nossos canais e compartilhe esta reportagem.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.