O secretário de Saúde, Marcelo Vilela, afirmou nesta sexta-feira (10) que as investigações sobre erro médico na morte do menino João Guilherme Jorge Pires ficarão, exclusivamente, a cargo da Polícia Civil.
“Vai ter o boletim, vai ter o inquérito, entendeu? E ali vai ter as informações mais tarde. Agora eu não posso falar nada.”
Segundo o secretário, quando há registro de boletim de ocorrência por morte a esclarecer, automaticamente a secretária faz uma avaliação dentro do setor e um rastreamento de toda a ficha do paciente para que os dados sirvam de base para o inquérito policial.
“Tem que aguardar agora a delegacia, o delegado pedir. Nós vamos passar para eles. Quando acontece isso, é porque virou um processo dentro da delegacia. Então, são eles que vão conduzir isso. Se for erro médico ou não, são eles que vão concluir isso. Não é a gente.”
Marcelo Vilela
Ainda conforme o secretário, em relação à responsabilização dos profissionais envolvidos, também será por meio dos conselhos da categoria. “Quando você fala do profissional, a gente tem Conselho Regional de Medicina (CRM), entendeu? Que vai ser acionado com certeza. A gente vai aguardar o término.”
João Guilherme morreu na madrugada de terça-feira (7), depois que a família procurou atendimento médico por sete vezes.
A certidão de óbito do menino aponta que a causa da morte dele foi uma insuficiência respiratória que ocorreu a partir de uma septicemia, provocada por artrite séptica.
Segundo o atestado, a causa imediata da morte foi insuficiência respiratória, ou seja, o menino não conseguiu respirar adequadamente nem fazer as trocas de oxigênio necessárias para o funcionamento do corpo.
Mas a gravidade do estado de saúde de João Guilherme começou com uma infecção em uma das articulações do corpo. Sem o tratamento adequado, a bactéria passou para o sangue do menino e o quadro evoluiu para uma infecção generalizada.
Na prática, o que o documento indica é que o menino sofreu uma cadeia de complicações:
- Entrada da bactéria – após a queda, pode ter surgido uma lesão que funcionou como “porta de entrada”, permitindo que bactérias entrassem no organismo;
- Infecção na articulação – essas bactérias podem ter chegado à corrente sanguínea e se alojado em uma articulação, causando a chamada artrite séptica, uma infecção grave com inflamação local.
- Disseminação pelo corpo – sem tratamento rápido, a infecção pode ter se espalhado pelo sangue, evoluindo para septicemia (infecção generalizada) e formando coágulos infectados que atingem órgãos;
- Comprometimento dos órgãos vitais – com a progressão do quadro, órgãos como os pulmões podem ser afetados, levando à insuficiência respiratória e, em casos graves, à morte.
A situação se torna ainda mais grave por detalhes descritos no laudo de entrada do paciente na Santa Casa. Segundo documento, quando as equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram para transferir João da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário, perceberam que o tubo endotraqueal estava mal fixado.
A investigação sobre a morte de João está nas mãos da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), e o CRM também acompanha o caso.
Fonte: primeirapagina





