Dormir bem vai muito além de um simples descanso. O sono é um processo biológico ativo, essencial para a consolidação da memória, regulação emocional, equilíbrio hormonal e manutenção da saúde física.
No entanto, em meio a rotinas aceleradas e ao excesso de telas, o descanso tem sido negligenciado, e o preço aparece no humor, na concentração e na imunidade.
Neurocientista, Carol Garrafa explica que o problema é cultural.
“Vivemos em uma sociedade que valoriza quem dorme pouco e produz muito. Mas a ciência mostra o contrário: sono de qualidade é pré-requisito para tomada de decisão e estabilidade emocional”, afirma.
Abaixo, a especialista responde às 10 dúvidas mais comuns sobre o tema:
1. Por que o sono é tão vital?
“O sono é o momento em que o cérebro processa tudo o que vivenciamos”, explica Carol. Durante o descanso, ocorre a restauração das funções cognitivas. Sem uma noite adequada, a atenção e a capacidade de decisão ficam severamente comprometidas.
2. Qual a quantidade ideal de horas?
Adultos precisam, em média, de 7 a 9 horas por noite. “Crianças e adolescentes precisam de mais, pois o sono é vital para o desenvolvimento cerebral”, diz a neurocientista. Ela alerta: dormir 8 horas fragmentadas não tem o mesmo benefício que 6 horas de sono contínuo e profundo.
3. O “faxineiro” do cérebro: O que ocorre enquanto dormimos?
No sono profundo, o cérebro realiza uma “limpeza” metabólica, eliminando proteínas tóxicas acumuladas no dia. “A privação crônica está associada ao maior risco de demência e envelhecimento cerebral acelerado”, indica. Já no sono REM (fase dos sonhos), o cérebro organiza memórias e regula o estado emocional.
4. Soneca após o almoço: Ajuda ou atrapalha?
As chamadas power naps (20 a 30 minutos) podem restaurar a energia mental e o foco. No entanto, cochilos longos tendem a prejudicar o sono noturno.
5. O impacto no equilíbrio emocional
O sono regula neurotransmissores ligados ao estresse. “Quando dormimos mal, a amígdala cerebral fica mais reativa. Por isso nos tornamos mais irritáveis e impulsivos”, revela Carol.
6. Sono e Saúde Mental
Noites mal dormidas elevam o risco de ansiedade e depressão. Para a especialista, “um cérebro cansado interpreta ameaças de forma ampliada. O sono é um regulador emocional poderoso”.
7. É possível aprender dormindo?
Diretamente. É no descanso que o cérebro “digere” o aprendizado. Estudar virando a noite é ineficiente; o conhecimento se fortalece com o repouso ou pausas programadas.
8. Dormir emagrece?
Sim. O sono regula a leptina (saciedade) e a grelina (fome). “Quem dorme mal sente mais fome e busca alimentos calóricos por impulso”, explica Carol. Além disso, a privação de sono eleva o cortisol, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal.
9. O perigo das telas e conteúdos violentos
A luz azul de celulares reduz a melatonina. Além disso, jogos ou filmes violentos antes de deitar podem gerar pesadelos. “O inconsciente não distingue real de imaginário; essas imagens são traduzidas como ameaças, prejudicando o descanso”, alerta.
10. Como conquistar um sono de qualidade?
A orientação é manter uma rotina regular:
- Deitar e acordar sempre no mesmo horário;
- Reduzir telas antes de dormir;
- Tomar um banho quente para relaxar;
- Manter o quarto fresco e escuro.
“Dormir bem exige estratégia e intencionalidade”, finaliza a neurocientista.
Fonte: primeirapagina





