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Desmatamento em Mato Grosso: Cidades com Maior Perda de Florestas Têm População de Baixa Renda

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2026

Levantamento aponta que 47 das 50 cidades que mais destroem a vegetação no Brasil têm renda abaixo da média. Em MT, Aripuanã e Paranatinga concentram recursos nas mãos de poucos, enquanto a mecanização reduz empregos.

O avanço da fronteira agrícola em Mato Grosso sobre o Cerrado e a Amazônia trouxe números impressionantes para o PIB, mas um abismo social para quem vive nas cidades onde a floresta sucumbe. Um levantamento do jornal Folha de S. Paulo, baseado em dados do Inpe e IBGE, revela que o desmatamento em Mato Grosso não é garantia de desenvolvimento humano. Das 50 cidades campeãs em devastação no país, 47 apresentam rendimento mensal inferior à média nacional.

O Fenômeno de Aripuanã e Paranatinga

Mato Grosso possui as únicas três exceções da lista onde a renda média está acima da nacional: Aripuanã, Nova Bandeirantes e Paranatinga. No entanto, especialistas da UFMT e do Inpe alertam que esses números são “maquiados” pela enorme concentração de riqueza.

  • Mecanização: A agricultura ultramecanizada emprega pouca gente.

  • Concentração: O lucro da soja e da madeira fica retido em grandes propriedades rurais, pertencentes a poucos indivíduos.

  • Exemplo de Paranatinga: A área de soja quadruplicou desde 2008, mas o progresso social não acompanhou o ritmo dos tratores.

O “Boom” e a Queda

Para a cientista Patrícia Pinho, do Ipam, o desmatamento gera um falso senso de prosperidade no início (extração de madeira), mas não cria uma renda estável. “Isso gera doenças, violência e não traz progresso estável”, afirma. Além disso, a destruição da floresta é um “tiro no pé” do próprio agronegócio: menos árvores significam menos chuvas e temperaturas mais altas, o que impacta diretamente a produtividade das safras futuras.

Ilegalidade e Lavagem de Dinheiro

O cenário é agravado pela ilegalidade. Segundo o Governo Federal, 90% da supressão de vegetação na Amazônia e 50% no Cerrado foram feitas de forma ilegal em 2022. Cientistas apontam que a economia clandestina associada ao desmate serve, muitas vezes, como ferramenta para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, drenando recursos que deveriam ir para a saúde e educação dos municípios.

Fonte: cenariomt

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