O pedreiro Danilo Fartes, de 40 anos, vive há anos no bairro Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora (MG), onde construiu a própria casa com economia e trabalho ao longo da vida. Hoje, o imóvel que abriga ele, a esposa e o filho passou a representar também uma fonte constante de preocupação.
A residência fica próxima à área onde um deslizamento de terra ocorrido na última semana deixou mais de 20 mortos e destruiu diversas casas. Desde então, o medo de novos desmoronamentos tem afetado a rotina dos moradores. Segundo Danilo, familiares e vizinhos enfrentam noites sem dormir diante da possibilidade de outra tragédia.
Sem condições financeiras de se mudar, ele afirma que a permanência no local não é uma escolha, mas a única alternativa possível. Para muitas famílias da região, a casa própria foi construída aos poucos, com recursos limitados e muito esforço.
O trabalhador critica a ausência de políticas preventivas e obras estruturais permanentes. De acordo com ele, intervenções de contenção na região costumam ocorrer apenas após incidentes e de forma pontual, sem planejamento amplo para reduzir riscos futuros.
Durante a tragédia, moradores iniciaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais. Mesmo diante de riscos como choques elétricos e enxurradas, a comunidade atuou na retirada de vítimas dos escombros.
Danilo participou diretamente das ações de socorro. Ele ajudou a retirar pessoas soterradas e tentou reanimar uma criança de três anos, que não resistiu.
Nascido e criado na comunidade, o pedreiro continua mobilizado nas ações de apoio. Ele atua na organização do trânsito local, na limpeza de áreas atingidas e na distribuição de alimentos, em um esforço coletivo para auxiliar famílias afetadas enquanto a região tenta se recuperar.
Fonte: cenariomt






