Mato Grosso

Desembargador denuncia privilégios e falta de transparência no sistema judiciário: crítica aos penduricalhos e impacto institucional

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2026
O desembargador João Carlos Ribeiro de Souza, decano do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), fez críticas à forma como foram conduzidos os pagamentos das chamadas verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, no âmbito do Judiciário, ao apontar desigualdades internas, falta de transparência e desgaste institucional diante da sociedade. A fala ocorreu durante discurso na ratificação de posse da desembargadora Rosana Caldas, na sexta-feira (17), após movimento do Supremo Tribunal Federal (STF) para estabelecer regras mais rígidas sobre o tema.

Ao abordar o assunto, o magistrado destacou que o tratamento desigual no pagamento das verbas acabou gerando divisões dentro da própria magistratura e ampliando o desgaste da categoria.
 
“Houve trato diferenciado, qualitativo e quantitativo, no que toca ao recebimento financeiro das parcelas. Alguns recebiam uma enormidade de penduricalhos, outros bom número, outros razoável número”, afirmou
 
O desembargador também chamou atenção para a existência de benefícios pagos sob justificativas pouco claras, indicando problemas de transparência na concessão das verbas.
 
“É duro sentir que, na prática, alguns auferiram mais penduricalhos que outros, vários dos privilégios com inconfessáveis rubricas”, disse.
 
As declarações ocorrem semanas depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu novos critérios para o pagamento das verbas indenizatórias a magistrados e membros do Ministério Público, medida que deve impactar diretamente os salários já a partir de maio. Segundo os relatores, a decisão pode gerar economia de aproximadamente R$ 7,3 bilhões por ano.
 
Como desdobramento, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instituíram um grupo de trabalho responsável por acompanhar o cumprimento das novas regras. Os órgãos também devem elaborar uma resolução conjunta para padronizar quais verbas podem ser pagas acima do teto constitucional, além de definir mecanismos de transparência sobre as remunerações.
 
Outro ponto enfatizado no discurso foi o impacto negativo dessas práticas na imagem do Judiciário perante a população. Segundo ele, o tema ganhou repercussão nacional e tem provocado crescente insatisfação social.
 
“A sociedade não aguenta mais. As notícias que pululam nos noticiários”, declarou
 
O magistrado ainda reconheceu a dificuldade de justificar determinados benefícios, inclusive em situações cotidianas, o que reforça o distanciamento entre a realidade das verbas e a percepção pública.
 
“Explicar o porquê do recebimento de indenização de um dia não folgado a cada três trabalhados é tarefa impossível”, pontuou.

 

Fonte: Olhar Direto

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