Sim, mas numa proporção muito menor.
Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram diferentes povos (potiguaras, tupinambás, caetés, carijós etc.) no litoral falando variações do tupi. Esse idioma foi aprendido, modificado e adotado como “língua geral” pelos colonizadores, e era usado no dia a dia da Colônia nos primeiros séculos. Ele era, inclusive, imposto pelos europeus para indígenas de etnia não tupi, chamados coletivamente de “tapuias”.
No interior do território havia falantes de idiomas totalmente diferentes, como os dos grupos macro-jê, aruaque e karib.
Palavras como canoa, cacique e batata vêm de línguas da família aruaque, mas não por influência direta dos habitantes daqui. Elas provavelmente chegaram ao português trazidas por marujos espanhois, que, por sua vez, adotaram-nas do idioma taíno, falado pelo povo de mesmo nome que habitava as ilhas caribenhas (e os primeiros nativos das Américas a fazer contato com os europeus, com a chegada de Cristóvão Colombo em 1492).
Já as línguas macro-jê deixaram poucos registros no nosso falar. Os mais famosos são toponímicos, ou seja, nome de lugares, especialmente na região Sul. “Erechim”, município no Rio Grande do Sul, significa “campo pequeno” na língua Kaingang. Já “Goioerê”, no Paraná, quer dizer “campina d’água”. É possível que a palavra “congonha” para se referir à erva-mate derive de kógũin, o nome da planta também no Kaingang.
Fonte: Wilmar da Rocha D’Angelis, professor de Linguística da Unicamp.
Fonte: abril





