Um dos produtos de exportação mais importante da história do Brasil, o café teve, por décadas, a cidade de Santos como um de seus centros nevrálgicos no mapa: o município à beira-mar podia não se destacar no plantio, mas era a partir de seu porto que grande parte da produção escoava para o mundo inteiro – e, no saguão da sua Bolsa de Café, os negócios eram fechados.
Situado no Centro Histórico, o antigo palácio da bolsa deixou de ser usado para esse fim nos anos 1970, mas continua sendo um lugar muito frequentado por quem visita Santos. Agora, em vez de negociar os preços de compra e venda de uma saca contendo os tão cobiçados grãos, quem adentra as dependências da velha Bolsa está em busca de mais conhecimento sobre como esse produto marcou a caminhada social e econômica do país, uma história preservada pelo Museu do Café desde 1998.
Conheça mais sobre ele.
História que começa no prédio
As atrações começam na própria estrutura do Museu do Café, que utiliza as dependências do palácio da Bolsa, onde as negociações começaram a ocorrer em 1922. Além da icônica torre do relógio de 40 metros de altura, uma das estruturas mais identificáveis do Centro Histórico, o edifício conta com outros traços arquitetônicos, históricos e decorativos que garantiram seu tombamento em esferas municipal, estadual e federal.
A Sala do Pregão é um ponto inescapável da visita: por ali, as cotações das sacas eram negociadas diariamente desde a instalação da Bolsa até o ano de 1950. Com marmoraria vinda de países europeus, o piso guarda referências maçônicas como uma Estrela de Davi, e a decoração visível hoje recupera o mobiliário da época para remeter à dinâmica do espaço em um dia de compras e vendas – 11 cadeiras ficam em destaque no centro, onde se acomodavam o presidente e os secretários da bolsa, rodeados por outras 70, onde ficavam os corretores.
No topo dos salões, grandes claraboias são adornadas por vitrais que recontam histórias e mitos do Brasil. Os períodos da economia do país aparecem representados em cenas como “A visão do Anhanguera”, que fala da exploração do ouro durante a época colonial; “A Lavoura e a Abundância”, onde são destacadas as riquezas agrícolas do café, cana e algodão consolidadas nos dias do Império; e “A Indústria e o Comércio”, que traz o olhar para as formas mais modernas que começam a ganhar espaço na República.
Exposições em destaque
A exposição permanente do Museu do Café, como não poderia ser diferente, é dedicada a contar a ciência, história e arte envolvendo essa commodity no Brasil. A mostra começa recuperando a chegada das primeiras mudas de cafeeiros ao país, avança com registros do plantio e da colheita e a contribuição de imigrantes europeus e japoneses para esse trabalho.
Adiante, visitantes são recordados da importância desse produto para modernizar o país, com suas consequências em aspectos como a ampliação da malha ferroviária e a própria consolidação do porto de Santos como o mais importante do Brasil.
O museu também apresenta exposições temporárias, cuja agenda e temática podem ser conferidas neste link.
Outro ponto alto da visita é a própria cafeteria da instituição, que não deixa a desejar para um lugar instalado em pleno Museu do Café: premiada inclusive pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) com status Premium no programa Círculo do Café de Qualidade, ela merece uma parada para uma boa xícara para concluir a visita com chave de ouro.
Serviço
O Museu do Café está localizado na rua Quinze de Novembro, 95, no Centro de Santos, e abre de terça a domingo, das 9h às 17h. O museu está em fase de implantação de sua nova exposição de longa duração e por esse motivo a entrada é temporariamente gratuita. Saiba mais no site oficial.
Fonte: viagemeturismo





