O novo episódio do quadro “Tá lendo o quê?” da Centro América FM desta sexta-feira (29) trouxe um novo episódio para os ouvintes, mergulhando na rica narrativa de “A boneca de Rubi”, da autora cuiabana Neide Silva.
O livro, descrito como uma obra que nasce de retalhos, pedaços de memória, identidade e pertencimento, flui entre recomeços e lembranças do que foi e do que ainda somos.
Neide Silva, escritora, viajante e psicóloga, desde cedo se viu cercada pela arte, influenciada pelas ilustrações do irmão Sebastião Silva e, posteriormente, por sua própria inquietação que a conduziu à literatura. Suas obras já conquistaram leitores em diversos lugares e circularam em projetos nacionais. “A boneca de Rubi” ocupa um lugar especial entre elas, tendo sido selecionado em edital da Secretaria de Cultura de Mato Grosso.
A concepção do livro foi um processo de “costura de fragmentos”, reunindo textos guardados por anos, reflexões da faculdade de psicologia, memórias de infância e crises existenciais da autora.
Um livro para todas as idades
“A boneca de Rubi” transcende a classificação etária, sendo considerado um livro que afeta tanto crianças quanto adultos. A autora destaca que, para uma criança ter acesso a um livro, ele primeiro precisa “afetar o adulto”, que o levará até ela. Por isso, a obra é ideal para ser lida em família, na escola com professores, ou em rodas de crianças e adultos.
Na história, a personagem Bartilha, a boneca de Rubi, é muito mais do que uma menina. Ela é:
- Metáfora de Mato Grosso, um território tecido pela mistura de culturas indígenas e europeias.
- Um espelho da própria autora, que cresceu descalça, próxima da natureza, e que hoje, vivendo em Portugal, reconhece em si a fusão de várias identidades.
- Representação de toda menina que sonha na infância, que cria, que se identifica com o novo e que tem coragem para desbravar o desconhecido.
O livro é descrito como literatura infantil e obra para adultos simultaneamente, tal qual clássicos como “O Pequeno Príncipe” ou “Alice no País das Maravilhas”. Ele possui camadas de leitura que atravessam gerações e “tocam o coração”, um “músculo que não envelhece, embora seja o mais antigo das crianças”.
Bartilha, a boneca de Rubi, é um convite para refletir sobre quem somos, nossa essência e o poder da arte de transformar inquietudes em criação. É um “espelho e colcha de retalhos, pedaço de vida transformado em conhecimento”. A literatura, nesse sentido, atua como “o fio que une passado, presente e futuro numa só narrativa”.
O quadro “Tá lendo o quê?” convida os ouvintes a compartilhar suas próprias leituras e mensagens.
Fonte: primeirapagina